You are currently browsing the monthly archive for Novembro, 2007.
No dia de 10 de Dezembro comemora-se o Dia Internacional dos Direitos do Homem. Aqui fica um excelente filme da Amnistia Internacional para usar na comemoração da efeméride.
O Programa Alimentar das Nações Unidas criou o jogo de computador Food Force com o objectivo de ajudar as crianças a consciencializarem-se sobre a problemática da fome no mundo inteiro e sobre os meios disponíveis para a combater. O jogo, que conhceu na semana passada a sua versão portuguesa (numa tradução financiada pela Direcção-Geral da Ajuda Humanitária da Comissão Europeia), está disponível gratuitamente na Internet em http://www.food-force.com/pt e centra-se no tema da fome mundial e no trabalho desenvolvido pela ajuda humanitária. Desenvolvido para jovens entre os 8 e os 15 anos, trata-se de uma interessante ferramenta pedagógica para ser explorada na sala de aula ou em centros de recursos, permitindo aos jogadores assumirem o papel de voluntários a braços com uma crise numa ilha fictícia e salvarem vidas mediante trabalho humanitário. A versão DVD/ROM encontra-se disponível na biblioteca da escola.
Foi já feita a encomenda de novas que vão reforçar o fundo documental destinado ao Plano Nacional de Leitura
Para Leitura orientada na sala de aula:
Gonzalez, M. Teresa Maia, Sempre do teu lado, Verbo
Sepúlveda, Luís, História de Uma Gaivota e doGato que a Ensinou a Voar, Asa
Magalhães, Ana Maria e Outro, Quero ser outro, Caminho
Torga, Miguel, Bichos, Dom Quixote
Gedeão, António História breve da Lua, Sá da Costa
Gonzalez, Maria Teresa Maia, Os herdeiros da lua de Joana, Verbo
Hemingway, Ernest, O Velho e o Mar, Livros do Brasil
Torga, Miguel, Novos contos da Montanha, Dom Quixote
Saint-Exupéry, Antoine, O Principezinho, Presença
Marquez, Gabriel Garcia, Crónica de uma Morte Anunciada, Dom Quixote
Orwell, George, O Triunfo dos Porcos, Europa-América
Amado, Jorge, Os Capitães da Areia, Dom Quixote
Para leitura autónoma:
Bradley, Marian Dimmer, As brumas de Avalon (4. vols.), Difel
Bach, Richard, Fernão Capelo Gaivota, Europa-América
Golding, William, O Deus das moscas, Texto Editores
Gonzalez, Maria Teresa Maia, Recados da mãe, Verbo
Gonzalez, Maria Teresa Maia, Voa comigo, Presença
Jacques, Brian, Os náufragos do holandês voador, Asa
Marques, Raúl Malequias, Um segredo aos pés da estátua, Ambar
Mota, António, Os sonhadores, Gailivro
Quino, Mafalda (B.D.), Teorema
Scheurmann, Erich Papalagui, Antígona
Soares, Luísa Ducla, Diário de Sofia e companhia aos 15 anos, Presença
Suskind, Patrick, O perfume, Presença
Vieira, Alice, Um fio de fumo nos confins do mar, Caminho
Xingjian, Gao, Uma cana de pesca para o meu avô, Dom Quixote
Estes títulos vêm juntar aos já adquiridos no ano lectivo anterior para leitura orientada na sala de aula:
Ondjaki, Momentos de Aqui, Caminho
Saldanha, Ana , O Romance de Rita R., Caminho
Gonzalez, Teresa Maia, O guarda da praia, Verbo
Gonzalez, Teresa Maia, O Salvador, Verbo
Gonzalez, Teresa Maia, A Lua de Joana, Verbo
Paz, Augustin Fernandez, O Centro do Labirinto, Âmbar
Orlev, Uri, A Ilha na Rua dos Pássaros, Âmbar
Sepúlveda, Luís, O Velho que Lia Romances de Amor, Edições Asa
Couto, Mia, Estórias Abensonhadas, Caminho
Torrado, António, O Homem sem Sombra, Caminho
Rúbrica ou rubrica?
O substantivo que designa uma assinatura abreviada, geralmente reduzida às iniciais, ou a indicação geral do assunto e/ou da categoria de algo, escreve-se rubrica e não rúbrica.

Herbário, de Jorge Sousa Braga, com desenhos de Cristina Valadas, é um excelente livro de poesia para crianças e jovens e que os adultos também gostam de ler. A obra foi distinguida com o Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças e Jovens e é um dos livros recomendados pelo PNL para leitura orientada em sala de aula no 2.º ciclo.
Eis um dos seus belos poemas:
AS ÁRVORES E OS LIVROS
As árvores como os livros têm folhas
e margens lisas ou recortadas,
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas.
E são histórias de reis, histórias de fadas,
as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas,
no pecíolo, no limbo, nas nervuras.
As florestas são imensas bibliotecas,
e até há florestas especializadas,
com faias, bétulas e um letreiro
a dizer: «Floresta das zonas temperadas».
É evidente que não podes plantar
no teu quarto, plátanos ou azinheiras.
Para começar a construir uma biblioteca,
basta um vaso de sardinheiras.
Jorge Sousa Braga nasceu em 1957, em Vila Verde, e é médico obstetra no Porto. Os seus cinco primeiros livros de poesia, publicados nos anos oitenta, encontram-se reunidos em O Poeta Nu (1991).
É também notável tradutor, tendo vertido para português para português poemas de Jorge Luis Borges, Matsuo Bashô, Li Po e Appolinaire.
Bibliografia:
O Poeta Nu (1991), 2.ª edição, Fenda Edições, Lisboa, 1999
Fogo Sobre Fogo, Fenda Edições, Lisboa, 1998
Herbário, Assírio & Alvim, Lisboa, 1999
A Ferida Aberta, Assírio & Alvim, Lisboa, 2001
Pó de Estrelas, Assírio & Alvim, Lisboa, 2004
Porto de Abrigo, Assírio & Alvim, Lisboa, 2005
Noite cerrada, tormentosa, escura,
Lá fora. Dormem em trevas o convento.
Queda imoto o arvoredo. Não fulgura
Uma estrela no torvo firmamento.
Dentro é tudo mudez. Flébil murmura,
De espaço a espaço, entanto, a voz do vento:
E há um rasgar de sudários pela altura,
Passo de espectros pelo pavimento…
Mas, de súbito, os gonzos das pesadas
Portas rangem… Ecoa surdamente
Leve rumor de vozes abafadas.
E, ao clarão de uma lâmpada tremente,
Do claustro sob as tácitas arcadas
Passa a ronda noturna, lentamente…
Olavo Bilac
Rembrandt, Rijksmuseum, 1642
363 x 437 cm
Título original: No Man’s Land
Realizador: Danis Tanovic
Actores: Branko Djuric, Rene Bitorajac, Filip Sovagovic, Georges Siatidis, Serge-Henri Valcke, Sacha Kremer, Alain Eloy, Mustafa Nadarevic, Bogdan Diklic, Simon Callow, Katrin Cartlidge, Tanja Ribic, Branko Zavrsan, Djuro Utjesanovic, Mirza Tanovic.
Origem: Bósnia-Herzegovina / Eslovénia / Itália / França / Reino Unido / Bélgica
Ano: 2001
Duração: 98 minutos

Escrita e realizado por Tanovic, Terra de Ninguém é uma implacável sátira de guerra, que narra como um soldado bósnio e outro sérvio se encontram presos em plena frente de batalha, numa trincheira em terra de ninguém, na qual um soldado ferido está deitado em cima de uma mina, sem poder se mexer senão ela explodirá.
A maior parte da acção decorre no curto espaço de uma trincheira entre as duas linhas inimigas. Nela acabam por se encontrar o soldado bósnio Chiki (Branko Djuric) e o sérvio Nino (René Bitorajac).
Na noite anterior, um grupo de soldados bósnios perdera-se no nevoeiro, e espera que amanheça, para prosseguir o seu caminho. Pela manhã, são atacados por sérvios. Somente Chiki sobrevive. Ele esconde-se na trincheira, esperando o momento certo para fugir.
Entretanto, o comandante sérvio manda dois soldados inspeccionarem a região. No local, só encontram os mortos e resolvem fazer uma armadilha: colocam uma mina explosiva debaixo do corpo de Cera (Filip Savagovic), exactamente na trincheira onde Chiki está escondido. Quando o descobrem, inicia-se um tiroteio.
Restam Chiki e Nino, os inimigos. Enquanto os dois homens tentam encontrar uma solução para o seu inextricável problema, um “capacete azul” francês tenta ajudá-los, contrariando as ordens dos seus superiores. Entretanto, os meios de comunicação chegam ao local e transformam a situação num espectáculo mediático internacional.
A imprensa não é poupada. Se por um lado é a repórter que faz com que a ONU tome alguma providência, todos os seus actos são em função de um furo de reportagem. Já na trincheira, a jornalista mostra toda a sua arrogância e mediocridade, fazendo perguntas do tipo: “Como é que se sente? Está cansado? Foi você que colocou a mina por debaixo do soldado bósnio?”. Os seus editores, num estúdio em qualquer lugar do mundo, insistem para que a jornalista consiga uma entrevista exclusiva com o soldado em cima da mina ou, ainda, que registre o momento em que a mina será desactivada.
Tanovic explicou várias vezes que o principal objectivo do filme era “erguer uma voz contra a guerra”. Objectivo conquistado, que lhe permitiu ganhar ao mesmo tempo reconhecimento internacional: além de ganhar o Óscar de melhor filme estrangeiro em 2002, o primeiro da Bósnia-Herzegovina, o filme de Tavonic conquistou um Globo de Ouro e o prémio de melhor argumento no Festival de Cannes de 2001.
Sobre a época

Dois meses antes do previsto, foi inaugurada na nossa escola a Biblioteca Escolar Digital (BED). O projecto BED, financiado pela Rede de Bibliotecas Escolares, mediante candidatura de mérito, pretende construir, e disponibilizar a professores e alunos, recursos educativos em formato electrónico, devidamente classificados e indexados (padrão Dublin Core), utilizando software livre (Greenstone Digital Library Software). Neste momento, a nossa BED disponibiliza já mais de um milhar de documentos, distribuídos por três colecções (recursos educativos, imagens e livros em formato digital) e pretende até ao final do ano lectivo atingir os 2500 documentos. Por enquanto, está apenas disponível em Intranet via web, em todos os computadores da escola, estando prevista a sua disponibilização na Internet no final do ano lectivo.
Uma publicação da Universidade de Alicante, Espanha, que reúne um conjunto de textos sobre filmes históricos, com interessantes estratégias para a sua utilização pedagógica. Títulos como “A Queda do Império Romano”, “Faraó”, “Spartacus”, “Cleópatra”, “Quo Vadis”, “El Cid”, “Rainha Margot”, entre outros. Pode ser descarregado aqui.
Disponível em http://visual.merriam-webster.com/, distingue-se de outros tipos de dicionários enciclopédicos por ser essencialmente visual. Dividido em 15 grandes temas (Astronomia, Planeta Terra, Plantas e Jardim, Reino Animal, Ser Humano, etc.), tem mais de 6 mil imagens. Apesar de disponível apenas em inglês, é um excelente recurso.
Bullying, Guerra na Escola, de Nora Ethel Rodríguez, ed. Sinais de Fogo, 218 p.
Começa finalmente a aparecer em língua portuguesa (e mesmo da autoria de investigadores portugueses) estudos sobre o fenómeno do bullying, um termo de origem inglesa utilizado para descrever actos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully) ou grupo de indivíduos com o objectivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz/es de se defender. Um fenómeno que ocorre em todas as escolas e em qualquer faixa etária.
O livro de Nora Ethel Rodríguez, uma pedagoga argentina há mais de uma década radicada em Barcelona, aborda precisamente a ocorrência do bullying no espaço escolar, tipificando os diferentes contextos em que se manifesta e formas que reveste, e sugerindo formas de actuação para pais e professores. O livro recorre a inúmeros testemunhos reais, recolhidos pela autora durante a sua investigação. Recomendado para pais, professores, educadores e todos os profissionais que lidam com crianças e jovens.
“O síndrome” ou “A síndrome”?
Síndrome (ou síndroma) designa um conjunto de sinais e sintomas observáveis em vários processos patológicos diferentes e sem causa específica. Normalmente está associada ao nome de uma doença. É um substantivo feminino e por isso deve escrever-se a síndrome (ou síndroma) e não o síndrome.
A língua portuguesa foi das que mais cresceu este mês na disponibilização de títulos no Projecto Gutenberg. São agora quase 100 as obras para download, mais do que, por exemplo, as obras em língua espanhola.
A biblioteca do Projecto Gutenberg é produzida por centenas de internautas voluntários que colaboram na digitalização e revisão das obras.
Actualmente, estão disponíveis mais de 20 mil livros (a maioria em inglês) com uma média mensal de downloads de três milhões de obras. Trata-se de textos cujos direitos de autor já caíram em domínio público ou que são gratuitos.

A propósito da comemoração do Dia Mundial do Não Fumador, no passado dia 17 de Novembro, está a decorrer na galeria de exposições da Biblioteca, uma exposição de trabalhos de alunos (ver foto acima).
Para saberes mais sobre o tema do tabagismo:
Para uma Vida sem Fumo - Uma aventura na Web (webquest) para o 2.º e 3.º ciclo
Pelo seu coração NÃO FUME in TABAGISMO Fundação Portu guesa de Cardiologia

Após 50 dias, os três primeiros classificados das Olimpíadas da Leitura são os seguintes:
1.º - Daniel Fernandes, 8. ano
2.º - Dúnia Santos, 8. ano
3.º - Tássila Sousa, 6.º ano
Ainda vais a tempo de te habilitares aos óptimos prémios que temos para ti. Informa-te na Biblioteca ou com o teu professor de Língua Portuguesa.

A Amazon lançou ontem o Kindle, um dispositivo electrónico sem fios que dá acesso a mais de 90 mil livros, blogues, revistas e jornais. Será desta que o livro digital se vai realmente impor? O vídeo de promoção pode ser visto aqui.
Foi colocado à venda na semana passada o novo livro de José Luís Peixoto, Cal. A obra reúne textos de natureza diversa (3 poemas, 17 contos, 1 peça de teatro), ancorados num espaço rural e na vivência e memória dos idosos, alguns inéditos, outros publicados na imprensa escrita.
José Luís Peixoto nasceu em 1974 (Galveias, Ponte de Sor). Recebeu o Prémio Jovens Criadores (área de literatura) nos anos 97, 98 e 2000. Em 2001, o seu romance «Nenhum Olhar» recebeu o Prémio Literário José Saramago.
Está representado em diversas antologias de prosa e de poesia nacionais e estrangeiras. É colaborador de diversas publicações nacionais e estrangeiras. Em 2005, escreveu as peças de teatro «Anathema» (estreada no Theatre de la Bastille, Paris) e «À Manhã» (estreado no Teatro São Luiz, Lisboa), esta última incluída em Cal.
Bibliografia
Morreste-me (ficção, 2000)
Nenhum Olhar (romance, 2000)
A Criança em Ruínas (poesia, 2001)
Uma Casa na Escuridão (romance, 2002)
A Casa, a Escuridão (poesia, 2002)
Antídoto (ficção, 2003)
Cemitério de Pianos (romance, 2006)
Cal (ficção, 2007)
No âmbito da comemoração do Dia Internacional para a Tolerância, a galeria de exposições da Biblioteca organizou uma exposição de trabalhos de alunos sobre o tema. Desenhos, cartazes, poemas, reflexões, acrósticos, etc. animaram o átrio da Biblioteca e os corredores do rés-do-chão do pavilhão A. O dia também foi lembrado nas actividades curriculares desse dia, com particular destaque para a celebração do patrono da nossa escola, um dos heróis da tolerância do século XX português.
![]()

No âmbito das comemorações do centenário do nascimento de Miguel Torga, a Biblioteca e o Clube “Leituras em Acção” organizou uma pequena exposição e distribuiu pela biblioteca ninhos construídos na escola, em cada um dos quais podia ser recolhido um poema de Miguel Torga.
Está já disponível na Biblioteca o último livro de Harry Potter, Harry Potter e os Talismãs da Morte. Como era de esperar, os exemplares para requisição domiciliária desapareceram rapidamente das estantes. O João Valente (5.º ano) e a Sara Pereira (6.º ano) foram os mais rápidos e os primeiros a levarem as novas aventuras do Harry Potter para casa.
Páginas interessantes sobre Harry Potter:
Só para fãs:

Título original: Girl with a Pearl Earring
Realizador: Peter Webber
Actores: Colin Firth, Scarlett Johansson, Tom Wilkinson, Judy Parfitt, Cillian Murphy, Essie Davis, Joanna Scanlan, Alakina Mann, Chris McHallem, Gabrielle Reidy, Rollo Weeks, Anna Popplewell, Anaïs Nepper, Melanie Meyfroid, Nathan Nepper …
Origem: Reino Unido
Ano: 2003
Duração: 100 minutos
Um dos quadros mais famosos e misteriosos de sempre, “Girl with a Pearl Earring” do pintor holandês Johannes Vermeer, serve de argumento a este belíssimo filme, que conta com a ajuda preciosa da belíssima fotografia do português Eduardo Serra.
Holanda, 1665. Depois de o pai ficar cego devido a uma explosão, a jovem Griet vê-se obrigada a trabalhar para sustentar a família. Com apenas 17 anos, torna-se criada na casa de Johannes Vermeer, um pintor cuja atenção se começa a voltar para a jovem Griet. Apesar das diferenças dos dois mundos, Vermeer leva-a para o mundo da arte, e ela torna-se sua musa… Uma bela e comovente hisória, baseada no bestseller de Tracy Chevalier, que retrata com mestria o ambiente das artes do século XVII.
Uma excelente recriação da época, tanto a nível da fotografia, que remete totalmente para o ambiente da altura e para as cores a que estamos habituados dos quadros dos artistas dessa época, bem como a nível de guarda-roupa e de recriação da estrutura social da cidade de Delft no século XVII. Espaços como o mercado ou a casa do pintor, as alusões aos alimentos e à sua preparação, as formas de vestir e de agir das personagens e a confecção das tintas e dos materiais nelas utilizados são pormenores em que a realização se esmerou. O facto de encontrarmos uma personagem protestante que habita uma casa católica permite ainda dar conta das diferenças existentes na Holanda do século XVII entre os hábitos das duas religiões.
Outra importante mais-valia do filme é a recriação da técnica de Vermeer, criteriosamente desconstruída, evidenciando o processo de criação e execução até à obra final. É o que acontece, por exemplo, com a demonstração da técnica da “janela aberta”, que permite o uso da incidência da luz em ambiente fechado, acentuando o carácter estático e sereno das suas composições, muitas delas recriando a intimidade de cenas privadas, envoltas numa atmosfera de influência religiosa. Também a questão das encomendas e dos patronos do artista permitem perceber o funcionamento do mundo das artes do século XVII.
A edição em DVD tem algumas cenas cortadas com potencialidades pedagógicas, nomeadamente episódios da Peste Negra, que conheceu importantes surtos ao londo de todo o século XVII.
Sobre o filme:
Sobre Vermeer:
Vai decorrer no dia 24 de Novembro, no Centro Ciência Viva em Sintra, uma sessão de formação para pais e encarregados de educação, sobre o tema da segurança na Internet. Serão abordados os principais riscos a que estão expostos as crianças e os jovens quando navegam na Internet e sugeridas estratégias de intervenção por parte dos pais. Outros temas a debater:
- Redes sociais virtuais
- Peer-to-Peer
- Chats, IM, correio electrónico e blogues
- Jogos e Telemóveis
- Cyberbullying
- Phishing e vírus
- Direitos de autor
- Legislação aplicável
A sessão seguinte será na nossa escola, no dia 30 de Novembro, às 21 horas. Em 2008, realizar-se-ão mais sessões, em articulação com as diferentes associações de pais do concelho de Sintra.
Iniciamos hoje uma nova rubrica no “ler para crer” acerca de algumas das principais dúvidas da Língua Portuguesa. Todas as semanas, uma dúvida é respondida…
____________________________________________________
Reboliço ou rebuliço?
Quando queremos descrever uma grande agitação, confusão, desordem, bulha, devemos escrever rebuliço. Reboliço também existe, mas para designar algo que rebola ou em forma de rebolo.
Decorreu hoje na biblioteca a 3.ª sessão da oficina de formação “Pesquisa, Avaliação, Gestão e Utilização de Recursos Electrónicos na Escola e Centro de Recursos”. Esta acção é frequentada por 16 professores da escola, com suporte on-line na plataforma Moodle, e tem o apoio do Centro de Formação da Associação de Escolas de Sintra.
Ao longo das 50 horas de formação, os professores irão seleccionar, avaliar e produzir recursos que integrarão a futura Biblioteca Digital da Escola (projecto apoiado pela candidatura de Mérito da RBE 2007/08), cuja inauguração está prevista para Fevereiro de 2008.

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
Eugénio de Andrade

Imagem: The Disturbing Muses, Giorgio de Chirico
Sai já depois de amanhã a mais recente e ao que parece última aventura de Harry Potter. Mais de 600 páginas de emoção e de um esperado sucesso de vendas e leitura nas bibliotecas escolares.
Sinopse [da editora Presença]:
Neste tão esperado último volume, Harry Potter tem de cumprir o seu destino, orientado pelas sábias mas pouco claras instruções de Dumbledore, que parece vigiá-lo do túmulo.
O nosso herói sabe que, para derrotar Voldemort, precisa em primeiro lugar de encontrar e destruir os horcruxes, objectos plenos de magia negra e carregados da alma do arqui-inimigo de Harry. Ao mesmo tempo, serão os três Talismãs da Morte uma realidade, ou nada mais que elementos de uma lenda infantil?
Nesta missão, Harry, Hermione e Ron encontrarão mais perigos do que alguma vez haviam imaginado; só a força unida de todos e a capacidade de confiarem uns nos outros lhes permitirá descobrir a diferença entre o caminho certo e o caminho mais fácil. “
A partir de sexta-feira, na tua biblioteca!
Só para fãs:
Uma turma do 9.º ano, no âmbito da disciplina “Expressão Dramática”, vai encenar a peça de Maria Teresa Maia Gonzalez Os Herdeiros da Lua de Joana. Nesta peça, Maria Teresa Gonzalez retoma as personagens de A Lua de Joana no momento do seu luto pela perda irreparável que sofreram, reforçando a advertência contra o uso de drogas que é cada vez mais importante nos tempos que correm.
Reportagem fotográfica da festa do Halloween na escola:
Em anexo, um dos nossos cartazes da exposição de comemoração do Dia Internacional para a Tolerância.
Em anexo, um conjunto de biografias de alguns heróis da tolerância, no âmbito da comemoração do Dia Internacional para a Tolerância.
Médicos e enfermeiros dos Centros de Saúde e dos Hospitais Pediátricos vão actuar como promotores de leitura junto de famílias com crianças entre os seis meses e os seis anos, segundo um protocolo com a comissão do Plano Nacional de Leitura, hoje divulgado.
In Público - Ler notícia completa
De seguro,
Posso apenas dizer que havia um muro
E que foi contra ele que arremeti
A vida inteira.
Não, nunca o contornei.
Nunca tentei
Ultrapassá-lo de qualquer maneira.
A honra era lutar
Sem esperança de vencer.
E lutei ferozmente noite e dia.
Apesar de saber
Que quanto mais lutava mais perdia
E mais funda sentia
A dor de me perder.
Miguel Torga, Antologia poética, Coimbra: Edição do autor, 1981

«Uma escola tolerante aceita as opiniões de todos e orgulha-se de ter alunos diferentes.»
Ana Sofia Lopes, 6.º 1.ª
«Ser tolerante é aguentar as provocações dos outros e ser capaz de perdoar quem as fez.»
Everton Maciel, 6.º 1.ª
«Ser tolerante é ter muita paciência. Sou tolerante, mas ainda não atingi os 100%.»
Vânio Santos, 6.º 1.ª
«Sou tolerante, porque não agrido aqueles que pensam de maneira diferente.»
Viktoria Velychko, 5.º 7.ª
«Sem tolerância não há paz.»
Joana Silva, 5.º 3.ª
«Sem tolerância o mundo seria um lugar insuportável.»
Ana Beatriz Brás, 5.º 3.ª
«Uma escola tolerante desculpa as falhas e os erros que nós cometemos, respeita e partilha as diferenças, reconhece o pluralismo.»
Ana Sofia Carvalho, 5.º 3.ª
«Uma escola tolerante é uma escola onde todos são livres de pensar de maneira diferente.»
Vera Lúcia, 5.º 3.ª
«Uma escola tolerante é aquela que resolve os seus problemas com o diálogo.»
João Pedro Falé
«Sendo que eu sou imperfeito e necessito de tolerância, e da bondade dos outros, também hei-de tolerar os defeitos do mundo, até que possa encontrar o segredo que me permita remediá-lo.»
Mahatma Gandhi
«A primeira lei da natureza é a tolerância, já que temos todos uma porção de erros e de fraquezas.»
Voltaire
«Tolerância não significa aceitar o que se tolera.»
Mahatma Gandhi
«Concede ao teu espírito o hábito da dúvida, e ao teu coração o da tolerância.»
Arthur Schnitzler
«Discordo daquilo que dizes, mas defenderei até à morte o teu direito de o dizeres.»
François Marie de Voltaire
«Tolerância significa desculpar os defeitos dos outros, e não reparar nos erros.»
Arthur Schnitzler
«Tolerância é paciência concentrada.»
Thomas Carlyle
«A Tolerância é a caridade da inteligência.»
Jules Lemaître
«Uma opinião equivocada pode ser tolerada onde a razão é livre de combatê-la.»
Thomas Jefferson
«Toda a Tolerância se torna, com o tempo, num direito adquirido.»
Georges Clemenceau
«A responsabilidade da Tolerância está com os que têm a visão mais ampla.»
George Eliot
«A lei de ouro do comportamento é a Tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos.»
Mahatma Gandhi
«Nenhuma qualidade é mais intolerável do que a intolerância.»
Giacomo Leopardi
«A prática da tolerância ajuda-nos a controlar a mente temerosa e irada.»
Textos Budistas
«A Tolerância é a melhor das religiões.»
Victor Hugo
«A verdadeira semente da violência é a pobreza e a intolerância. Do que mais precisamos é de bom senso e de sentido de responsabilidade.»
António Nóvoa
«A intolerância fecha os caminhos da compreensão, ao mesmo tempo que os da sensibilidade, caminhos aos quais só têm acesso as almas que sabem da sua semelhança com as demais.»
Carlos Pecotche-Raumsol
«Tolerem a minha intolerância.»
Jules Renard
«Na Terra há lugar para todos.»
Schiller
Tolera as pessoas como se fossem amigas
Onde há amizade, há tolerância
Liberta o amor que há em ti
Escuta os outros
Ri de ti próprio
A cor da pele não é importante
Não lutes
Curte a vida sem aborrecimentos
Ignora aqueles que te insultam
Aceita as falhas, porque todos erramos
Ana Catarina Alves, 6.º 1.ª

Maria Teresa Maia Gonzalez é uma das mais conhecidas escritoras de livros para crianças e jovens e vem à nossa escola no dia 29 de Maio para conversar com alunos do 3.º ciclo. Maria Teresa Maia Gonzalez é autora de, por exemplo, Gaspar & Mariana, A Fonte dos Segredos, O Guarda da Praia, O Incendiário Misterioso, A Lua de Joana (editado também na Alemanha e na Bulgária), Histórias com Jesus, A Cruz Vazia, e ainda da colecção de enorme sucesso “Profissão: Adolescente”. É ainda, com Maria do Rosário Pedreira, co-autora da “Colecção O Clube das Chaves”, de que se publicaram 21 volumes, a maioria dos quais com várias edições.
O projecto da nossa escola de promoção da leitura e de aplicação do Plano Nacional de Leitura (PNL) no 3.º ciclo do ensino básico foi um dos 175 projectos seleccionados pelo PNL para apoio financeiro. A lista (em formato pdf) de todas as escolas apoiadas pode ser consultada aqui.
Os CTT, em parceria com o Plano Nacional de Leitura, voltam a lançar o programa de dinamização de escrita e leitura “Onde te leva a imaginação?”.
Este programa tem como objectivos incentivar a leitura e desenvolver o poder imaginativo e criativo das crianças através da escrita e da ilustração.
Pretende-se abranger três níveis de educação e ensino: Educação Pré-escolar, 1º Ciclo do Ensino Básico e 2º Ciclo do Ensino Básico.
Para cada nível de educação e ensino, são propostas actividades de leitura com recurso a obras recomendadas pelo Plano Nacional de Leitura, bem como actividades relacionadas com conteúdos CTT.
Mais informações aqui.
Comemora-se na próxima semana, dia 16 de Novembro, o dia Internacional da Tolerância. Para celebrar a data nas escolas podem aproveitar-se algumas das ideias avançadas pelo guia, editado pelo Alto Comissariado para a Imigração e o Diálogo Intercultural, 44 ideias simples para promover a tolerância e celebrar a diversidade. O guia pode ser descarregado no seguinte endereço: http://www.acime.gov.pt/docs/Eventos/44ideiasC.pdf
Passa-me um tempo por fora
O tempo que foi constante
no meu contratempo estar
passa-me agora adiante
como se fosse parar
Por cada relógio certo
no tempo que sou agora
há um tempo descoberto
no tempo que se demora.
Fica-me o tempo por dentro
passa-me o tempo por fora
Ary dos Santos
O Dia Internacional da Tolerância comemora-se no dia 16 de Novembro. Aqui ficam alguns filmes que poderão ser usados para abordar temáticas ligadas à tolerância:
A Missão – “The Mission” (1986 - 120 m)
América do Sul, século XVIII. Depois da morte de um missionário jesuíta no interior da selva, o Padre Gabriel (Jeremy Irons) tenta entrar em contacto com a tribo responsável.O mercenário traficante de escravos Mendoza (Robert De Niro) também encontrou um filão nesta região inexplorada. Um homem desprovido de compaixão, não hesita em matar o irmão Felipe quando descobre que é para este que vai o amor da jovem Carlota. Gabriel convence-o a procurar refúgio espiritual na missão. Anos mais tarde, um novo tratado é assinado, e um representante da igreja chega para decidir o destino da missão, agora governada por Gabriel e Mendoza. Mas as tropas encarregadas de a destruir já vão a caminho. Mendoza e Gabriel enfrentam um terrível dilema: obedecer à ordem Papal e abandonar a missão, ou ficar e defender os índios. Gabriel opta pela salvação, mas Mendoza luta ferozmente contra os espanhóis, ao lado dos índios que outrora explorara.
A Lista de Schindler - “Schindler’s List” (1993 - 187 m)
A Lista de Schindler, um filme de Steven Spielberg, é uma obra-prima, que se tornou um dos mais distinguidos filmes de todos os tempos. O filme representa a indelével história do enigmático Oskar Schindler, um membro do partido nazi, mulherengo e especulador de guerra, que salvou a vida a mais de 1100 judeus durante o Holocausto. Foi o triunfo de um homem que fez a diferença no drama daqueles que sobreviveram a um dos capítulos negros da história da humanidade, salvos pelo que ele fez.
Amistad (1997 - 148 m)
Baseado numa história verídica, o filme relata a incrível viagem de um grupo de escravos que se apoderam do comando do navio que os transportava a fim de regressarem à sua terra natal. Quando o navio, chamada La Amistad, é de novo recapturado e levado para os EUA, os escravos são acusados de crime e encarcerados à espera do seu destino. Inicia-se um processo que irá confrontar as bases de todo o sistema judicial americano. Mas para os homens e mulheres em causa, é uma simples batalha pelo direito básico de toda a humanidade… a liberdade.
Grita Liberdade - “Cry Freedom” (1987 - 151m)
A história de uma amizade memorável entre dois homens inesquecíveis. A tensão e o terror dos tempos do Apartheid na África do Sul são poderosamente retratados neste emocionante filme realizado por Richard Attenborough, que nos conta a história de um activista negro Stephen Biko (Denzel Washington) e de um editor liberal de um jornal branco que arrisca a sua própria vida para divulgar ao Mundo a mensagem de Biko. Depois de ter conhecimento dos verdadeiros horrores do Apartheid, através das descrições de Biko, o editor Donald Woods (Kevin Kline) descobre que o seu amigo foi silenciado pela polícia. Determinado a fazer ouvir a mensagem de Biko, Woods embarca numa perigosa aventura para escapar da África do Sul e divulgar ao mundo a impressionante história de coragem de Biko. A fascinante história mostra as facetas da humanidade nas suas vertentes mais terríveis e mais heróicas.
Billy Elliot - “Billy Elliot” (2000 - 106 m)
Quando Billy, um rapazinho de 11 anos, descobre uma classe de ballet que partilha o ginásio com o seu clube de boxe, há algo na magia dos movimentos que capta a sua atenção. E depressa troca as lições de boxe pelas de ballet, sem que a família o saiba. O pai e o irmão de Billy, ambos envolvidos numa greve de mineiros, lutam para pôr comida na mesa. As suas frustrações vão ao rubro quando descobrem que Billy anda a gastar o dinheiro das aulas de boxe numa ocupação pouco masculina. A professora de ballet convence Billy a prosseguir as aulas sem pagar, mas não consegue fazer o pai de Billy compreender o talento do filho. Enraivecido pela incompreensão da família, Billy executa uma dança só para o seu amigo Michael, mas é visto a meio da interpretação pelo pai. Descobrindo ali mesmo o talento do filho, o pai garante-lhe que terá a sua oportunidade de ir a uma audição a Londres. Com a ajuda dos outros mineiros, Billy e o pai chegam finalmente a Londres para o grande dia…

Texto de Guiomar de Grammon
«A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido.
Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Dom Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.
Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.
Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.
Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verosimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.
O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incómodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?
É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metros, ou no silêncio da alcova… Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.
Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.
Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.
Além disso, a leitura promove a comunicação de dores e alegrias, tantos outros sentimentos… A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna colectivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.»
Guiomar de Grammon
FONTE: http://www.trt05.gov.br/trt5new/areas/ddrh/LER_DEVIA_SER_PROIBIDO.doc
In: PRADO, J. & CONDINI, P. (Orgs.). A formação do leitor: pontos de vista. Rio de Janeiro: Argus, 1999. pp. 71-3.
Imagem: Giorgio de Chirico
“Vem por aqui” — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui!”
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos…
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: “vem por aqui!”? Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí…
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?…
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos…
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios…
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
José Régio
A Scholastic Library Publishing (EUA) publicou em 2006 um relatório que faz uma recolha de vários estudos feitos ao longo dos últimos 10 anos relacionados com bibliotecas escolares. No prefácio desse relatório podemos ler: “uma parte substancial da investigação feita desde 1990 demonstra claramente a importância das bibliotecas escolares na educação dos alunos. Seja quando o desempenho dos alunos é medido através de testes de leitura padrão, seja quando se mede o desempenho na aprendizagem de uma forma mais global, as pesquisas demonstram que uma biblioteca bem equipada, gerida por pessoal formado e especializado, exerce um impacto positivo na performance dos alunos, independentemente do nível socio-económico ou educativo da comunidade onde está inserida”.
O estudo pode ser lido aqui.
In BICA





