Resultante de oferta, o fundo documental da Biblioteca foi recentemente enriquecido por um conjunto de obras do autor checo Milan Kundera, um dos mais importantes escritores europeus do século XX.
Título: Os testamentos traídos

Ano: 1994

Editor: Asa
O presente ensaio é escrito como um romance – ao longo de nove partes independentes, cruzam-se e desfilam as mesmas personagens: Stravinski e Kafka com os seus curiosos amigos Ansermet e Brod; Hemingway com o seu biógrafo; Janacek com a sua pequena nação; Rabelais com os seus herdeiros, os grandes romancistas. A arte do romance é na verdade o herói principal deste livro: o espírito do humor de que o romance nasceu; o seu misterioso parentesco com a música; a sua história que (como a da música) se desenvolve em três tempos; a estética do seu terceiro tempo (o romance moderno); a sua inteligência existencial. É sob a luz dessa “inteligência do romance” que o livro examina as grandes situações da nossa era: os processos morais levantados contra a arte do.século, de Céline a Maiakovski; o tempo que passa e torna incerta a identidade do ‘eu’ presente com o ‘eu’ de outrora; a lembrança como forma do esquecimento; o pudor como noção essencial de uma época assente no indivíduo; a indiscrição que, transformada em
hábito e regra, anuncia o crepúsculo do individualismo; a força misteriosa da vontade dos mortos;
os testamentos; os testamentos traídos (da Europa, da arte, da arte do romance, dos artistas).

Título: A Valsa do Adeus

Ano: 1989

Editor: D. Quixote

Numas termas paradas no tempo, oito personagens deslizam ao ritmo de uma valsa cada vez mais acelerada: entre outros, uma bela enfermeira grávida, um célebre músico de jazz, um antigo militante desiludido e prestes a abandonar o país, um ginecologista original, um americano rico, simultaneamente santo e Don Juan.
Construído com o rigor de um texto clássico, A Valsa do Adeus (o último livro que Kundera escreveu na antiga Checoslováquia) é o romance mais divertido do autor, uma espécie de sonho de uma noite de Verão, um vaudeville negro em que as questões mais graves são colocadas com uma ligeireza blasfema, levando-nos a compreender que o mundo moderno, entre outras coisas, nos roubou também o direito ao trágico.


Título: A Brincadeira

Ano: 1987

Editor: D. Quixote

Escrito entre 1962 e 1965, e publicado em 1967, A Brincadeira é, com efeito, o primeiro romance de Milan Kundera. No ano seguinte ao da sua publicação, o livro, que rapidamente atingira-uma tiragem de 120 000 exemplares, pôde ainda obter o prémio da União de Escritores da Checoslováquia, vindo no entanto pouco depois a ser proibido.
Embora politicamente significativo, o livro não pertence contudo ao domínio da literatura engagée. Coexistem nele duas histórias que se referem a versões antagónicas do amor: por um lado, a doçura enigmática de Lúcia; por outro a dureza de Ludvik, que busca vingar-se no corpo de uma mulher. Estes dois extremos pertencem de facto um ao outro, mas não podem comunicar. Constituem o melancólico canto a duas vozes da incompreensão existente entre a carne e a alma. E outras vozes se lhes juntam, num tecido polifónico que revela a mestria de Milan Kundera: cada uma delas transporta uma verdade simultaneamente essencial e alheia à verdade dos outros, assumindo-se como um elo de uma cadeia de mal-entendidos. Estes são aliás o fulcro da relação que, ao longo dos anos, liga os diversos personagens do romance. Mais fortes do que a própria paixão, eles são os verdadeiros agentes do erro universal de que a história se compõe e fomentam a obra de esquecimento e devastação a que preside o «anjo da rapina».

Título: A lentidão

Ano:1995

Editor: Asa

Para este seu primeiro romance escrito em língua francesa, Milan Kundera parece ter-se proposto atingir simultaneamente um extremo de brevidade, de densidade e de ligeireza. Desconcertados e encantados, seguimo-lo numa noite de Verão durante a qual se cruzam duas histórias de sedução, separadas por mais de duzentos anos e oscilando vertiginosamente entre o sublime e o hilariante. Mas esta é somente a estrutura de acontecimentos que não se deixam contar, porque Kundera parece ter miniaturizado uma impressionante quantidade de “temas existenciais”: Desde logo o da lentidão: uma palavra para a qual descobriremos um novo sentido, como se nunca a tivéssemos conhecido. E assim, de repente, parecer-nos-á evidente que falar de lentidão significa/alar da memória – e que falar da memória significa falar de tudo.

Título: A Insustentável Leveza do Ser

Ano: 1985

Editor: D. Quixote

A Insustentável Leveza do Ser é seguramente um dos romances míticos do século XX, uma daquelas obras raras que alteram o modo como toda uma geração observa o mundo que a rodeia.

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