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É já amanhã que se inicia a visita do Escrito Pedro Seromenho ao nosso agrupamento. Se quiseres conhecer um pouco melhor o escritor e ilustrador, vê esta sua participação no TEDxYouth@Braga, onde o Pedro descreve como a paixão pelos números se transforma na paixão por ilustrar historias mágicas e sonhos.

Variação sobre o poema de José Fanha: “Eu sou português aqui”, da autoria da Cesaltina, do 8.º 4.ª

Eu sou angolana aqui

Lá e cá…

Foram 35 anos de sofrimento
E agora muitos momentos de alegria.

E por isso sempre fomos um só povo
Uma só nação
Em qualquer lugar
Serei sempre angolana

Do lado de cá do coração.


Deixamos aqui os dois poemas declamados pelos alunos na sessão com o poeta José Fanha da parte da tarde:

Eu Sou Português Aqui

Eu sou português
aqui
em terra e fome talhado
feito de barro e carvão
rasgado pelo vento norte
amante certo da morte
no silêncio da agressão.

Eu sou português
aqui
mas nascido deste lado
do lado de cá da vida
do lado do sofrimento
da miséria repetida
do pé descalço
do vento.

Nasci
deste lado da cidade
nesta margem
no meio da tempestade
durante o reino do medo.
Sempre a apostar na viagem
quando os frutos amargavam
e o luar sabia a azedo.

Eu sou português
aqui
no teatro mentiroso
mas afinal verdadeiro
na finta fácil
no gozo
no sorriso doloroso
no gingar dum marinheiro.

Nasci
deste lado da ternura
do coração esfarrapado
eu sou filho da aventura
da anedota
do acaso
campeão do improviso,
trago as mão sujas do sangue
que em papa a terra que piso.

Eu sou português
aqui
na brilhantina em que embrulho,
do alto da minha esquina
a conversa e a borrasca
eu sou filho do sarilho
do gesto desmesurado
nos cordéis do desenrasca.

Nasci
aqui
no mês de Abril
quando esqueci toda a saudade
e comecei a inventar
em cada gesto
a liberdade.

Nasci
aqui
ao pé do mar
duma garganta magoada no cantar.
Eu sou a festa
inacabada
quase ausente
eu sou a briga
a luta antiga
renovada
ainda urgente.

Eu sou português
aqui
o português sem mestre
mas com jeito.
Eu sou português
aqui
e trago o mês de Abril
a voar
dentro do peito.

Eu sou português aqui

José Fanha

Todas as Bibliotecas

Todas as bibliotecas estão cheias de lágrimas
E crinas de cavalos verdes

Todas elas são forradas
Com o canto proibido das sereias.

Em todas elas
– repara –
Os livros são labaredas
No silêncio das paredes

José Fanha

Eis o pequeno texto autobiográfico do escritor José Fanha, realizado pelos alunos do 8,º, e que serviu para apresentação do autor na sessão da parte da parte:

José Fanha – Biografia
Nasceu em Lisboa a 19 de Fevereiro de 1951. Licenciado em Arquitectura é guionista para a televisão e para o cinema, já foi professor do ensino secundário e é hoje assessor cultural na Câmara de Sintra. Poeta, declamador, contador de histórias, autor de letras para canções e de histórias para crianças, autor de textos para televisão, para rádio e para teatro é também pintor nos tempos livres. Participou, entre muitas outras actividades, no teatro (como fundador e animador), participou em concursos de televisão, colaborou em programas de rádio e tem trabalhado em adaptações de inúmeros textos teatrais ou televisivos.
Estudou dos 10 aos 17 anos no Colégio Militar onde conheceu uma educação muito rígida que ainda assim não lhe cerceou o espírito livre. Foi aí que começou a escrever e a perceber que a poesia é a língua que melhor lhe permitia falar de si. Aos 18 anos, entrou na Faculdade de Arquitectura e e foi aí que começou a olhar à sua volta e a perceber que estava a viver num país cinzento e triste, uma ditadura, onde as pessoas não eram livres de falar e cantar e dançar. Na década de 70 termina o seu curso e vive intensamente o dia 25 de abril. Nasceu então o poeta de intervenção.
No texto autobiográfico do seu site, podemos encontrar a sua verdadeira dimensão humana e poética que nos revela a sua constante luta pela liberdade em prol de um mundo melhor. Poeta de intervenção, faz parte da geração de abril com nomes como Zeca Afonso, Francisco Fanhais, Manuel Freire, José Jorge Letria e outros) que cantavam, mais às claras ou mais às escondidas, para juntar pessoas e dizer-lhes que era preciso acabar com a ditadura se queriam ser livres e mais felizes, cito.
O gosto pelas crianças e a sua facilidade comunicativa leva-o atualmente a inúmeras bibliotecas de escolas onde partilha com as crianças o gosto pela vida, pela poesia e pela palavra. É pai de três filhos que, cito, são a razão de muito do que faz. É para eles que guarda a criança que ainda vive dentro do seu peito e que, apesar de alguns tropeções e desgostos, vive sempre a encantar-se com as maravilhosas surpresas que a vida continua a reservar-nos, cito ainda. Hoje está aqui connosco e é um prazer poder desfrutar da sua companhia.
A nossa turma presta-lhe aqui um pequeno tributo, lendo o poema que nos fez despertar para a poesia.

Eis os dois poemas de José Fanha recitados pelos alunos na sessão com o autor da parte da manhã:

Coisas que Acontecem

Venceslau venceu na vida
Timóteo tocou trompete
Samuel sorveu a sopa
Paulino comeu esparguete.

Violeta viu as vistas
Diana doeu-lhe o dedo
Fernandinho foi aos figos
Silvina guardou segredo.

Albertino teve tino
Pedrito passou na praça
Henriqueta enriqueceu
Guidinha não achou graça.

Amadeu deu em doidinho
Noémia não disse nada
Marcela migou as migas
e a Célia fez a salada.

Valdemar virou a vela
Carlota foi ao calista
Luisinha leu as letras
Cristina levanta a crista.

Rosalina fez rissóis
Pompeu visitou Pompeia
Tolentino foi à tropa
Balbina foi à boleia.

Baltazar é batoteiro
Joana vai ao jardim
Laurindinha lava a louça
Francisco fugiu por fim.

Cantiga Felina

Eu sou uma gata gatona gatinha
pequena ladina
feroz e feliz e felina.
Eu sou uma gata que come
fanecas e figos
Feijão e favona e favinha
e…
comigo ninguém faz farinha!

Eu sou uma gata gatona gatinha
faceira furtiva
fadista fiel e festiva.
Eu sou uma gata que foge
da fúria do fogo
fanhosa felpuda fininha
e…
comigo ninguém faz farinha!

Eu sou uma gata gatona gatinha
uma bela figura
que fala que funga e que fura.
Eu sou uma gata que veste
um fatinho forrado
com fita fivela e fitinha
e…
comigo ninguém faz farinha!

Uma fotobiografia do escritor José Fanha realizada por Vítor Mordido, aluno do 8.º 4.ª.


Variações sobre o poema de José Fanha: “Eu sou português aqui” escritas por alunos da escola

Eu sou livre aqui

Sou pena por fora
Mas pedra por dentro
Sei a vida que vivi
Já levada pelo vento

Eu sou livre aqui
Amo a minha terra
Foi a terra onde eu nasci
Não é uma terra perfeita
Mas eu sou livre aqui
Pois tenho a alegria
De me lembrar que um dia
Pensei que perderia
O meu mundo de fantasia…
e não perdi!

Sou livre aqui

Porque sei
Que jamais me lembraria
De poder voltar a fazer o que fazia

Sou livre aqui
Para ler e escrever
E jamais me vou esquecer
De continuar a escrever
A minha querida poesia

Sou livre aqui
Com o mundo na palma da mão
E a poesia no coração

Mas para o universo da solidão,
Para isso, não há solução!

Ariana Martins, n.º 1 – 8.º 4.ª – 13 anos

Eu sou português aqui

Neste meio de palavras
Sou feito de amor e carinho
De seres de que me orgulho
Neste cesto pequenino
Onde o amor é o meu embrulho

Eu sou português aqui
Nasci neste recanto cheio de medo e de coragem
Com um olhar admirado
De pensamentos e encantos

Nasci perto da cidade

Não tive a mesma liberdade
De um pássaro ligeiro
De bico aventureiro

Eu sou português aqui
Entre este mundo sem jeito
E as asas de outro lugar
Sou campeão dos meus sonhos
Que prendo dentro do peito
E agora aqui estou eu
Poeta inteiro
E não desfeito

Daniel Dias, n.º 8 – 8.º 4.ª – 14 anos

Sou mulher aqui

Sou mulher aqui
No mundo em que nasci

Mas infelizmente cresci
Na terra dos sorrisos falsos
Que sublinham a tristeza
Para no final me perder
Na ilusão da beleza

Sou mulher aqui
Na terra onde o tempo passa
Onde as nuvens estão paradas

E onde as pessoas mudam
No prejuízo dos sonhos
Dos progenitores que lutam
Das noticias infelizes
Que o povo vai ouvindo

Sou mulher aqui
Na memória da amizade
Num tempo que corre tão limpo
Em águas de liberdade

Carina Marques, n.º 3 – 8.º 4.ª – 15 anos

Sou mulher aqui

Em terra e dunas talhada
Feita de cristal e de amor
Rasgada pelas ondas do mar
No silêncio da felicidade

Sou mulher aqui
Mas sobrevivente
Do lado de cá do mundo
Do lado de cá do amor
Da dor repetida
Da escuridão da noite
Vestida de vida

Nasci aqui
Num mês de abril qualquer
Quando esqueci todo o sofrimento
E comecei a conhecer
Cada detalhe da vida
Cada fibra do meu pão

Por isso eu digo
Eu sou mulher aqui
E trago a sinceridade presa
Num lado do coração

Sadigatou, n.º 23 – 8.º 4- 16 anos

Embora seja mais conhecido como escritor de livros para crianças e jovens, José Fanha, que hoje está de visita à nossa escola, é também o autor de letras de música, como é caso deste ““O meu coração não tem cor”, que, interpretada por Lúcia Moniz, foi a representante portuguesa no Festival Eurovisão da Canção de 1996 que teve lugar em Oslo. A canção obteve o sexto lugar, tendo recebido um total de 92 pontos e foi até ao momento, a melhor classificação de Portugal no Festival Eurovisão da Canção.
Aqui fica a letra e, mais abaixo, o vídeo da participação portuguesa no Festival:

Andamos todos a rodar na roda antiga
Cantando nesta língua que é de mel e de sal
O que está longe fica perto nas cantigas
Que fazem uma festa tricontinental

Dança-se o samba, a marrabenta também
Chora-se o fado, rola-se a coladeira
P’la porta aberta pode entrar sempre alguém
Se está cansado, diz adeus à canseira

Vai a correr o corridinho
Que é bem mandado e saltadinho
E rasga o funaná, faz força no malhão
Que a gente vai dançar sem se atrapalhar
No descompasso deste coração

E como é? E como é? E como é?
Vai de roda minha gente, vamos todos dar ao pé

Estamos de maré, vamos dançar
Vem juntar o teu ao meu sabor
Põe esta canção a navegar
Que o meu coração não tem cor

Estamos de maré, vamos dançar
Vem juntar o teu ao meu sabor
Põe esta canção a navegar
Que o meu coração não tem cor

Andamos todos na ciranda cirandeira
Preguiça doce e boa, vai de lá, vai de cá
Na nossa boca uma saudade desordeira
De figo, de papaia e de guaraná

Vira-se o vira e o merengue também
Chora-se a morna, solta-se a sapateia
P’la porta aberta pode entrar sempre alguém
Que a gente gosta de ter a casa cheia

Vamos dançar este bailinho
Traz a sanfona, o cavaquinho
A chula vai pular nas voltas do baião
Que a gente vai dançar sem se atrapalhar
No descompasso deste coração

E como é? E como é? E como é?
Vai de roda minha gente, vamos todos dar ao pé

Estamos de maré, vamos dançar
Vem juntar o teu ao meu sabor
Põe esta canção a navegar
Que o meu coração não tem cor

Estamos de maré, vamos dançar
Vem juntar o teu ao meu sabor
Põe esta canção a navegar
Que o meu coração não tem cor

Hey, (e vai te volte, vai te volte, p’ra acabar)
Que o meu coração não tem cor

Bom dia, senhor José!
Obrigada por nos visitar.
Já tenho os cabelos em pé
Com tantas coisas para perguntar.

Se já gosta de escrever,
Deve continuar.
Agora poderá também
Aprender a ilustrar.

Nos seus poemas
Magia encontrei
Resolvi alguns problemas
E em si me inspirei.

Quero ser como o senhor,
Um poeta escritor.
Quero escrever poesia
Com todo o rigor.

Se eu pudesse escrever um livro
Que nome lhe daria?
“Meu caro amigo José”
Ou “José e Maria?

Num só livro não caberia
Toda a história maravilhosa
Que eu própria escreveria
Para uma alma tão bondosa.

Madalena Rodrigues, n.º13, 5.º 5.ª
(Poema dedicado ao escritor José Fanha)
Jan. 2012


É já esta semana que o escritor Pedro Seromenho visita as escolas do nosso agrupamento, no âmbito da semana da leitura 2012, que ontem se inicou. O programa da visita será o seguinte:

1 de Março
Escola EB 1 de Rio de Mouro n.º 2
Horário: 10h
Turmas: 1º A, 2º A
Obra: Porque é que os animais não conduzem

Escola EB 1 de Rio de Mouro n.º 1
Horário: 11h30
Turmas: 1º A, 2º A
Obra: Porque é que os animais não conduzem

Escola EB 1 de Serra das Minhas n.º 2
Horário: 14h
Turmas: 2.º ano
Obra: Porque é que os animais não conduzem

2 de Março
Escola EB 2,3 Padre Alberto Neto
Horário: 10h00
Turmas: 7.º ano e CEF
Obra: 900

Escola EB 2,3 Padre Alberto Neto
Horário: 11h30
Turmas: 6.º ano
Obra: O reino do silêncio

Escola EB 2,3 Padre Alberto Neto
Horário: 14h
Turmas: 6.º ano
Obra: O reino do silêncio

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