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Conclusões do Encontro «Oeiras a Ler», subordinado ao tema: «A Promoção da Leitura para os Públicos Jovens e o Papel da Biblioteca Pública». Apresentação de Manuela Barreto Nunes


É o título de uma notícia do jornal Público de hoje, que faz o balanço dos primeiros dois anos do Plano Nacional de Leitura (PNL), baseado no Estudo de Avaliação do Plano Nacional de Leitura encomendado ao Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa e coordenado António Firmino da Costa. Em declarações ao jornal, António Firmino da Costa reconhece que há “um clima social muito favorável à ideia de que o país precisa de ler mais e melhor”. Noventa e seis por cento dos 1037 inquiridos no estudo consideram os objectivos do PNL “importantes ou muito importantes” . Das 2699 escolas que responderam ao inquérito do ISCTE, 96 por cento desenvolveram actividades de leitura orientada e 65 por cento constataram progressos no domínio da leitura, o que demonstra “o apetite latente por operações de reforço das políticas de promoção da leitura e a capacidade de implantação do PNL”.

Terminou hoje oficialmente o concurso «Olimpíadas da Leitura», que decorreu desde Outubro do ano passado. O vencedor recebeu um magnífico leitor de mp3, e o segundo e terceiro classificados receberam livros da escritora Maria Teresa Maia Gonzalez, autografados e entregues pela própria autora.

A classificação final ficou assim ordenada:

1.º - Daniel Fernandes – 8.º 4.ª

2.º - Tássila Sousa – 6.º 10.ª

3.º - Dúnia Santos – 8.º 2.ª

Já falta menos de um mês para a visita da escritora Maria Teresa Maia Gonzalez. O programa provisório é o seguinte:

10h - Recepção e visita à exposição

10h15 - Apresentação da escitora

10h20 - Momento musical

10h30 - Sessão de perguntas e respostas

11h15 - Momento musical

11h30 - Entrega de prémios de:

  • Olimpíadas da Leitura
  • Peddy Paper na Biblioteca
  • O Seu a Seu Dono

11h50 - Sessão de autógrafos

12h10 - Encerramento


O “Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor” é comemorado, desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de Abril, dia de São Jorge.
Esta data foi escolhida para honrar a velha tradição catalã segundo a qual, neste dia, os cavaleiros oferecem às suas damas UMA ROSA VERMELHA DE SÃO JORGE (Saint Jordi) e recebem em troca, UM LIVRO.
Em simultâneo, é prestada homenagem à obra de grandes escritores, como Shakespeare e Cervantes, falecidos em 1616, exactamente a 23 de Abril.

Na biblioteca, vamos desenvolver várias actividades de comemoração da efeméride, entre as quais um concurso: «O seu a seu dono». Podes participar no concurso também através do blogue. Fica atento, a partir de segunda-feira, às pistas que formos dando…

A UNESCO decretou 2008 como o Ano Europeu do Diálogo Intercultural. Com o objectivo de fomentar a escrita e a criatividade das crianças, a Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas lança, a partir de hoje, e durante todo o mês de Abril, um Passatempo no qual podem participar crianças dos oito aos 13 anos, divididos por duas categorias (dos oito aos 10 e dos 11 aos 13 anos).

Ver regulamento

Este é o título de um interessante artigo de Howard Gardner, especialista em psicologia cognitiva da Universidade de Harvard, reproduzido no suplemento Digital do jornal Público de 1 de Março. O autor começa por fazer um percurso pela história das tecnologias da informação para tentar provar que sempre houve detractores de defensores (sob a forma de « coros caóticos de críticas e elogios») de cada vez que surgiu uma nova técnica. A sua ideia é que qualquer que seja a evolução futura da Internet, a «literacia – ou um conjunto de literacias – irá persistir, mas assumindo formas e formatos que ainda não podemos prever. Acrescenta ainda não estar preocupado «nem por um nanossegundo que a leitura e a escrita possam desaparecer. Mesmo nos novos media digitais, é essencial saber ler e escrever fluentemente e, para quem quer captar atenções, escrever bem. Claro, o significado de “escrever bem” evolui». Afirma ainda que há dois aspectos do livro tradicional que podem estar em perigo. «O primeiro é a capacidade do autor de desenvolver uma argumentação complexa, que requer ao leitor estudar e reler, seguindo um percurso de raciocínio não-linear. [...] O outro é a genialidade especial do livro em permitir aos leitores entrar num mundo privado durante horas ou até dias seguidos.» resultado da aparente compulsão dos jovens «para estar permanentemente em contacto uns com os outros», em que «os períodos de silêncio solitário ou de privacidade parecem tóxicos». Termina com uma desafio: para sermos capazes de compreender o que está a acontecer hoje com a literacia temos de «ter em mente as nossas necessidades e os nossos desejos, os meios de comunicação como eles eram e como são, e os meios de comunicação na sua transformação contínua.

No âmbito da Semana da Leitura 2008, vamos desenvolver na Biblioteca a iniciativa “5 dias, 5 poemas”.

Este é o quinto:

Impressão Digital

Os meus olhos são uns olhos,
e é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos,
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.

Quem diz escolhos, diz flores!
De tudo o mesmo se diz!
Onde uns vêem luto e dores,
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.

Pelas ruas e estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros gnomos e fadas
num halo resplandecente!!

Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos!
Onde Sancho vê moinhos,
D. Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos!
Vê gigantes? São gigantes!

António Gedeão

No âmbito da Semana da Leitura 2008, vamos desenvolver na Biblioteca a iniciativa “5 dias, 5 poemas”.

Este é o quarto:

Aquela nuvem

Aquela nuvem
parece um cavalo…

Ah! Se eu pudesse montá-lo!

Aquela?
Mas já não é um cavalo,
É uma barca à vela.

Não faz mal.
Queria embarcar nela.

Aquela?
Mas já não é um navio,
é uma torre amarela
a vogar no frio
onde encerraram uma donzela.

Não faz mal.
Quero ter asas
para a espreitar da janela.

Vá, lancem-me no mar
donde voam as nuvens
para ir numa delas
tomar mil formas
com sabor a sal
- Labirinto de sombras e de cisnes
No céu de água-sol-vento-luz
concreto e irreal…

José Gomes Ferreira

Frases sobre a leitura dos alunos do 5.º 7.ª e 6.º 1ª

 6.º 1.ª:

«A leitura é uma espécie de energia que faz levitar a alma.»
Débora Sousa

«Um bom leitor é aquele que não descansa enquanto não chegar ao fim do livro.»
João Alexandre

«A leitura é sinónimo de cultura.»
Filipe Morgado

«Um bom leitor é aquele que aprende com o escritor.»
Filipe Morgado

5.º 7.ª: 

«Um livro é uma caixa mágica onde podemos encontrar alguns dos nossos sonhos.»
Patrícia João

«Um bom leitor sente prazer, delicia-se com a leitura.»
Gustavo Gonçalves

«Um livro é uma porta mágica que nos conduz à diversão.»
Gustavo Gonçalves

«Um livro é um poço de sabedoria.»
Mariana Fialho

«Um bom leitor ama os livros e não consegue viver sem eles.»
Mariana Fialho

«Um livro é um cofre com um tesouro lá dentro.»
Miguel Nunes

«Ler é viver uma aventura.»
Ana Isabel Machado

«Um bom leitor tem prazer em ler o que o escritor tem para dizer.»
Rúben Monteiro

«Ler é espreitar para dentro de uma caixa mágica.»
Rúben Monteiro

«A leitura é aprendizagem, diversão e emoção.»
Rúben Monteiro

«Um bom leitor tem sempre vontade de ler.»
Andreia Afonso

«Um livro é uma semente do conhecimento.»
Andreia Afonso

«Um bom leitor nunca está satisfeito, quer sempre ler mais e mais.»
Diogo Gomes

«Ler é imaginar que somos o herói da história.»
Maria Beatriz Carneiro

«Um bom leitor deixa-se seduzir pela escrita.»
Gonçalo Bernardo

«Um bom leitor é aquele que lê com gosto.»
Márcia Vasconcelos

«Um livro é a ilusão que nós queríamos.»
Gonçalo André

«A leitura é uma construção mental.»
Nuno Caseiro

«Um livro é um amigo sempre pronto para ensinar.»
Emilian Bizgu

«Um livro é uma porta aberta para um mundo completamente novo.»
Emilian Bizgu

«Um livro é um guarda-jóias e cada palavra é uma pedra preciosa.»
Cíntia Borges

Apresentação electrónica de promoção da Semana da Leitura na nossa escola.

No âmbito da Semana da Leitura 2008, vamos desenvolver na Biblioteca a iniciativa “5 dias, 5 poemas”.

Este é o terceiro:

Canção de Leonoreta

Borboleta, borboleta
flor do ar
onde vais, que me não levas?
Onde vais tu Leonoreta?

Vou ao rio e tenho pressa!
Não te ponhas no caminho.
Vou ver o jacarandá,
Que deve estar florido.

Leonoreta, Leonoreta
Que me não levas contigo…

Eugénio de Andrade

No âmbito da Semana da Leitura 2008, vamos desenvolver na Biblioteca a iniciativa “5 dias, 5 poemas”.

Este é o segundo:

SEGREDO

Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.
Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar…

Miguel Torga

Estreia na próxima segunda-feira, na RTPN, um novo programa dedicado ao universo dos livros, chamado “LER +, Ler Melhor”. Trata-se uma curta rubrica com apenas cinco minutos, emitida duas vezes por dia (12h50 e 19h50), de segunda a sexta-feira, e tem como objectivos promover a leitura e divulgar as novidades da edição livreira nos mais diversos géneros e para todas as idades.

Em entrevista ao DN, de 4 de Fevereiro de 2007, (conduzida por Pedro Sousa Tavares),a comissária o Plano Nacional de Leitura, Isabel Alçada, faz um balanço do impacto que o PNL está a ter na sociedade portuguesa. Sob o título “Temos um milhão a ler nas aulas”, Isabel Alçada destaca a necessidade de instrumentos de avaliação da qualidade da leitura e a importância do envolvimento das famílias. Já no seu papel de escritora, Isabel Alçada revela que no próximo mês sairá um novo título da sua colecção “Uma Aventura” - Uma Aventura em Alto Mar - com o qual as autoras pretendem “tentar despertar a curiosidade dos leitores para o que é a Antárctida e a investigação científica que lá se faz”.

Dois estudos realizados no âmbito do Plano Nacional de Leitura (PNL) mostram que os portugueses estão a ler mais do que há 10 anos e propõem um conjunto de procedimentos a adoptar nos estabelecimentos de ensino. Trata-se de “A Leitura em Portugal”, sob coordenação de Maria de Lurdes Lima dos Santos (disponível aqui), e “Para a Avaliação do Desempenho de Leitura”, sob coordenação de Inês Sim-Sim (disponível aqui).

Segundo o estudo  de Lima dos Santos, verificou-se um aumento do número de leitores de livros na ordem dos 7% , enquanto nas revistas e nos jornais o número de leitores cresceu, respectivamente, 6%. e 20%. Apesar da evolução, Portugal ainda está longe dos patamares europeus, sobretudo no que diz respeito à leitura de livros.

 

De acordo com a tipologia de leitura, confirma-se que o perfil dos leitores é claramente feminizado, mais escolarizado, mais jovem, com uma percentagem elevada de estudantes.

 

O estudo “Para a Avaliação do Desempenho da Leitura”,  procurou dar resposta à necessidade de identificação e avaliação dos instrumentos existentes em Portugal para a aferição do desempenho na área da leitura.

 

Este estudo apresenta um conjunto de procedimentos a adoptar para os estabelecimentos de referências nacionais de aprendizagem da leitura ao longo dos dois primeiros ciclos do ensino básico.

De acordo com um estudo realizado nos Estados Unidos, a Internet parece estar a desenvolver o gosto pelos livros e pelas bibliotecas. Dos 53% dos inquiridos que afirmaram ter visitado uma biblioteca em 2007, os utilizadores mais frequentes tinham entre 18 e 30 anos. Segundo a pesquisa, os cibernautas são duas vezes mais propensos a visitar bibliotecas.

Esta notícia vem confirmar aquilo que muitos de nós  já dizem há muitos anos (que a Internet permite desenvolver competências de leitura e gosto pela aprendizagem permanente) e desmente os que auguravam o fim das bibliotecas e o declínio dos livros e da leitura face à concorrência da Internet.

Notícia no Diário Digital.

As Benevolentes, de Jonathan Littell, Ed. D. Quixote, 2007, 896 p.

benevolentes.jpg

As Benevolentes é uma epopeia de um ser arrastado pelo seu próprio percurso e pela História.

As Benevolentes são as memórias de Maximilien Aue, um ex-oficial nazi, alemão de origens francesas que participa em momentos sombrios da recente história mundial: a execução dos judeus, as batalhas na frente de Estalinegrado, a organização dos campos de concentração, até a derrocada final da Alemanha. Uma confissão sem arrependimento das desumanidades cometidas durante a Segunda Guerra Mundial, que provoca uma reflexão original e desafiadora das razões que levam o homem a cometer o mal.

(Sinopse da editora)

Mais sobre o livro em Leituras.

Com algum humor… Disponível aqui.

Acabam hoje as aulas do 1.º período, e também a feira do livro usado, que decorre na nossa biblioteca desde a passada quarta-feira. No dia de hoje, sem actividades lectivas na escola, alunos e professores desfrutam das actividades culturais e desportivas previstas no Plano Anual de Actividades.

Abre também hoje em Lisboa a maior livraria do país, a Byblos, nas Amoreiras, homónima do nosso portal de recursos electrónicos e cheia de boas presentes para oferecer no Natal . Para todos um bom Natal, com muitas leituras.

Estão a fazer furor no Japão os livros escritos em telemóveis para serem lidos em telemóveis. Segundo o jornal australiano Sydney Herald, dos 10 livros mais vendidos no Japão nos primeiros seis meses de 2007, metade foi escrita no telemóvel. Os keitai shousetsu - expressão que em português significa aproximadamente “livro móvel” - destinam-se essencialmente a um público jovem e a maior parte deles são escritos por adolescentes. São comuns o uso de abreviaturas e de “emoticons”. Alguns livros chegam a vender mais de um milhão de exemplares, como é o caso de Koizora, que conta a história de uma rapariga raptada e violada pelos sequestradores. As histórias que mais vendem são todas a típica literatura de cordel, com pouco ou nenhum desenvolvimento das personagens e doses elevadas de sexo e crime. No entanto, a popularidade do formato está também a atrair a literatura “tradicional”, o que permitirá chegar a outros públicos: Os Irmãos Karamazov, a monumental obra-prima de Dostoievski, já vendeu mais de 300 mil exemplares.
De acordo com a Wired, um “livro móvel” tem normalmente entre 200 a 500 páginas, cada página contendo 500 caracteres japoneses.

No relatório PISA (Programme for International Student Assessment), divulgado hoje, os alunos portugueses continuam abaixo da média da OCDE em todos os parâmetros analisados pela organização de Paris no que diz respeito às competências adquiridas em ciências, leitura e matemática. Apesar de ligeiras melhorias no domínio da ciência e da leitura, Portugal contínua na cauda da Europa, sobretudo na área da Matemática. Quanto às competências no domínio da leitura, Portugal situa-se no 31.º lugar no conjunto dos 56 países estudados (alguns não pertencem à OCDE). Em termos gerais, o nosso país ocupa o 37.º lugar. Numa escala até 600 pontos, os estudantes portugueses obtiveram 474, abaixo da média global de 491. A tabela é liderada pela Finlândia, com 563 valores. Abaixo de Portugal ficaram, entre outros, Grécia, Bulgária, Turquia, Roménia, Argentina ou Brasil. No estudo participaram 5109 alunos portugueses, de 172 escolas, desde o 7.º ao 11.º anos.

Após 50 dias, os três primeiros classificados das Olimpíadas da Leitura são os seguintes:

1.º - Daniel Fernandes, 8. ano
2.º - Dúnia Santos, 8. ano
3.º - Tássila Sousa, 6.º ano

Ainda vais a tempo de te habilitares aos óptimos prémios que temos para ti. Informa-te na Biblioteca ou com o teu professor de Língua Portuguesa.

potter.jpgSai já depois de amanhã a mais recente e ao que parece última aventura de Harry Potter. Mais de 600 páginas de emoção e de um esperado sucesso de vendas e leitura nas bibliotecas escolares.

Sinopse [da editora Presença]:

Neste tão esperado último volume, Harry Potter tem de cumprir o seu destino, orientado pelas sábias mas pouco claras instruções de Dumbledore, que parece vigiá-lo do túmulo.
O nosso herói sabe que, para derrotar Voldemort, precisa em primeiro lugar de encontrar e destruir os horcruxes, objectos plenos de magia negra e carregados da alma do arqui-inimigo de Harry. Ao mesmo tempo, serão os três Talismãs da Morte uma realidade, ou nada mais que elementos de uma lenda infantil?
Nesta missão, Harry, Hermione e Ron encontrarão mais perigos do que alguma vez haviam imaginado; só a força unida de todos e a capacidade de confiarem uns nos outros lhes permitirá descobrir a diferença entre o caminho certo e o caminho mais fácil. “

A partir de sexta-feira, na tua biblioteca!

Só para fãs:

Médicos e enfermeiros dos Centros de Saúde e dos Hospitais Pediátricos vão actuar como promotores de leitura junto de famílias com crianças entre os seis meses e os seis anos, segundo um protocolo com a comissão do Plano Nacional de Leitura, hoje divulgado.

html-file-32x32.pngIn Público - Ler notícia completa

Os CTT, em parceria com o Plano Nacional de Leitura, voltam a lançar o programa de dinamização de escrita e leitura “Onde te leva a imaginação?”.

Este programa tem como objectivos incentivar a leitura e desenvolver o poder imaginativo e criativo das crianças através da escrita e da ilustração.

Pretende-se abranger três níveis de educação e ensino: Educação Pré-escolar, 1º Ciclo do Ensino Básico e 2º Ciclo do Ensino Básico.

Para cada nível de educação e ensino, são propostas actividades de leitura com recurso a obras recomendadas pelo Plano Nacional de Leitura, bem como actividades relacionadas com conteúdos CTT.
Mais informações aqui.

chirico.jpg

Texto de Guiomar de Grammon

«A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido.

Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Dom Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.

Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.

Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?

Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.

Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.

Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.

Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verosimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.

O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incómodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?

É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metros, ou no silêncio da alcova… Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.

Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.

Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.

Além disso, a leitura promove a comunicação de dores e alegrias, tantos outros sentimentos… A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna colectivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.

Ler pode tornar o homem perigosamente humano.»

Guiomar de Grammon

FONTE: http://www.trt05.gov.br/trt5new/areas/ddrh/LER_DEVIA_SER_PROIBIDO.doc

In: PRADO, J. & CONDINI, P. (Orgs.). A formação do leitor: pontos de vista. Rio de Janeiro: Argus, 1999. pp. 71-3.

Imagem: Giorgio de Chirico

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