Até ao dia de Natal, publicaremos todos os dias um poema de um autor português sobre o Natal.

Cá vai o primeiro, de Miguel Torga, no fim do ano do seu centenário:

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Natal divino ao rés-do-chão humano,
Sem um anjo a cantar a cada ouvido.
Encolhido
À lareira,
Ao que pergunto
Respondo
Com as achas que vou pondo
Na fogueira.

O mito apenas velado
Como um cadáver
Familiar…
E neve, neve, a caiar
De triste melancolia
Os caminhos onde um dia
Vi os Magos galopar…

Miguel Torga