O jornal “Público” tem hoje como um dos seus temas principais o plágio de trabalhos nas escolas portuguesas com recurso à Internet, problema que afecta todos os níveis de ensino do básico ao superior.

O que dizem os alunos:

«Há quem se gabe de ter conseguido uma “nota máxima” com um trabalho que era apenas o resultado apressado de uma operação de “corta e cola” da Internet – “mas pus lá a fonte!” Uma adolescente com um sorriso traquina explica que vai continuar a arriscar: “Aquilo na Wikipédia [a enciclopédia on-line escrita por cibernautas de todo o mundo] está tudo tão bem escrito que não vale a pena nós mudarmos nada”, diz outra rapariga de 14 anos.” Outra ainda lamenta: “Os meus professores são muito espertos, não posso copiar.”»

«Os olhos de um rapaz de 11 anos abrem-se muito, quase assustados, quando é confrontado com a pergunta: “Não tens medo que a informação que estás a tirar da Net não esteja correcta?” Nunca tinha pensado nisso.»

Sobre os livros:

«Uma coisa é certa, remata uma aluna: “Dos livros em papel não se consegue fazer copy-paste.” Tem que se ler “e escrever tudo”. O que, na sua opinião, é uma grande desvantagem. »

Indicadores preocupantes:

«Um inquérito […] feito na Universidade de Lyon, França, e [que] envolveu 1100 estudantes e 120 professores de três escolas […] revela que quatro em cada cinco estudantes confessam que já recorreram ao “copy/paste”, ou seja, já copiaram um texto da Internet para um trabalho, sem o alterar. Por isso, não é de estranhar que nove em cada dez professores já se tenham confrontado com essa situação. Num inquérito semelhante divulgado em 2006, 70 por cento dos estudantes calculam que um trabalho pode ter, pelo menos, um quarto dos textos copiados da Internet. Entre os que retiram da Internet menos de 25 por cento dos textos para os trabalhos, três em cada cinco dizem que “raramente” recorrem a esse método.
Existe uma confusão entre citar um texto e plagiá-lo, aponta o estudo, pois três em cada cinco professores consideram que as citações estão mal identificadas nos trabalhos.»

A opinião mais sensata:

«A decisão destas escolas [de bloquear o acesso à wikipédia] tem sido motivo de discussão na Internet. Denise Gonzalez-Walker, que escreve no blogue de educação do jornal Seattle Post-Intelligencer, pergunta porque é que não se pode fazer da Wikipédia uma oportunidade para ensinar. É “uma pena” que os professores e bibliotecários não façam desta situação uma oportunidade para pôr os alunos a rever as afirmações da Wikipédia, a investigar o que está escrito; e a discutir e a reflectir sobre os novos meios de comunicação, considera. »

Temos mesmo de reflectir sobre as formas de promover a literacia da informação nas nossas escolas e bibliotecas…