Este é o título de um interessante artigo de Howard Gardner, especialista em psicologia cognitiva da Universidade de Harvard, reproduzido no suplemento Digital do jornal Público de 1 de Março. O autor começa por fazer um percurso pela história das tecnologias da informação para tentar provar que sempre houve detractores de defensores (sob a forma de « coros caóticos de críticas e elogios») de cada vez que surgiu uma nova técnica. A sua ideia é que qualquer que seja a evolução futura da Internet, a «literacia – ou um conjunto de literacias – irá persistir, mas assumindo formas e formatos que ainda não podemos prever. Acrescenta ainda não estar preocupado «nem por um nanossegundo que a leitura e a escrita possam desaparecer. Mesmo nos novos media digitais, é essencial saber ler e escrever fluentemente e, para quem quer captar atenções, escrever bem. Claro, o significado de “escrever bem” evolui». Afirma ainda que há dois aspectos do livro tradicional que podem estar em perigo. «O primeiro é a capacidade do autor de desenvolver uma argumentação complexa, que requer ao leitor estudar e reler, seguindo um percurso de raciocínio não-linear. […] O outro é a genialidade especial do livro em permitir aos leitores entrar num mundo privado durante horas ou até dias seguidos.» resultado da aparente compulsão dos jovens «para estar permanentemente em contacto uns com os outros», em que «os períodos de silêncio solitário ou de privacidade parecem tóxicos». Termina com uma desafio: para sermos capazes de compreender o que está a acontecer hoje com a literacia temos de «ter em mente as nossas necessidades e os nossos desejos, os meios de comunicação como eles eram e como são, e os meios de comunicação na sua transformação contínua.

Anúncios