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Comemora-se no dia 21 de Março o dia da Poesia. Todos os dias, até lá, oferecemos um poema:

O poema

O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê

O poema alguém o dirá
Às searas

Sua passagem se confundirá
Como rumor do mar com o passar do vento

O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento

No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas

(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)

Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas

E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen

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animais.jpg

Comemora-se no dia 21 de Março o dia da Poesia. Todos os dias, até lá, oferecemos um poema:

Nuvens correndo num rio

Nuvens correndo num rio
Quem sabe onde vão parar?
Fantasma do meu navio
Não corras, vai devagar!

Vais por caminhos de bruma
Que são caminhos de olvido.
Não queiras, ó meu navio,
Ser um navio perdido.

Sonhos içados ao vento
Querem estrelas varejar!
Velas do meu pensamento
Aonde me quereis levar?

Não corras, ó meu navio
Navega mais devagar,
Que nuvens correndo em rio,
Quem sabe onde vão parar?

Que este destino em que venho
É uma troça tão triste;
Um navio que não tenho
Num rio que não existe.

Natália Correia (1923-1993)

bonifrate.jpg

Num projecto piloto que pretende explorar as potencialidades da web 2.0, a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos disponibiliza no Flickr parte da sua colecção de fotografias e convida os utilizadores colaborar na descrição do seu conteúdo adicionando tags. Disponível aqui.

Comemora-se no dia 21 de Março o dia da Poesia. Todos os dias, até lá, oferecemos um poema:

A Poesia Vai Acabar

A poesia vai acabar, os poetas

vão ser colocados em lugares mais úteis.

Por exemplo, observadores de pássaros

(enquanto os pássaros não acabarem).

Esta certeza tive-a hoje ao

entrar numa repartição pública.

Um senhor míope atendia devagar

ao balcão; eu perguntei:

“Que fez algum poeta por este senhor?”

E a pergunta afligiu-me tanto

por dentro e por fora da cabeça que

tive que voltar a ler

toda a poesia desde o princípio do mundo.

Uma pergunta numa cabeça.

– Como uma coroa de espinhos:

estão todos a ver onde o autor quer chegar? –

Manuel António Pina (1943

A criatividade ao serviço da arte de arrumar livros. Trinta exemplos que poderiam tornar as nossas bibliotecas bem mais originais. Para ser visto aqui.

natureza.jpg

Comemora-se no dia 21 de Março o dia da Poesia. Todos os dias, até lá, oferecemos um poema:

Ritual

a jarra tombou

a água correu sobre a mesa

as flores calaram-se aos poucos

o espantalho tocou o acordeão

a criança cansou-se do vento

desatou as sandálias

o mar meditou duas vezes

qual o horizonte

do sótão a galinha presa

viu um avião voar

uns quantos vestiram-se de negro

viveram da morte dos outros

suicidou-se uma sombra

debaixo do meu pé

a mulher calçou-se de branco

para a ressurreição

Luiza Neto Jorge (1939-1989)

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