Aqui fica o quarto poema de António Gedeão:

Amador sem coisa amada

Resolvi andar na rua

com os olhos postos no chão.

Quem me quiser que me chame

ou que me toque com a mão.

Quando a angústia embaciar

de tédio os olhos vidrados,

olharei para os prédios altos,

para as telhas dos telhados.

Amador sem coisa amada,

aprendiz colegial.

Sou amador da existência,

não chego a profissional.

Anúncios