amor1

No âmbito da comemoração da semana dos afectos e do Dia do Patrono, iniciámos a publicação de uma série de 20 poemas de amor de poetas famosos.

Este é o décimo:

Movimento

 

Se tu és a égua de âmbar

                  eu sou o caminho de sangue

Se tu és o primeiro nevão

                  eu sou quem acende a fogueira da madrugada

Se tu és a torre da noite

                  eu sou o cravo ardendo em tua fronte

Se tu és a maré matutina

                  eu sou o grito do primeiro pássaro

Se tu és a cesta de laranjas

                  eu sou o punhal de sol

Se tu és o altar de pedra

                  eu sou a mão sacrílega

Se tu és a terra deitada

                  eu sou a cana verde

Se tu és o salto do vento

                  eu sou o fogo oculto

Se tu és a boca da água

                  eu sou a boca do musgo

Se tu és o bosque das nuvens

                  eu sou o machado que as corta

Se tu és a cidade profunda

                  eu sou a chuva da consagração

Se tu és a montanha amarela

                  eu sou os braços vermelhos do líquen

Se tu és o sol que se levanta

                  eu sou o caminho de sangue

 

Octavio Paz, in “Salamandra”

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