IVAN, O TERRÍVEL
Deus nomeou-me czar (…) e sou o pastor da terra ortodoxa e de seu povo (…) que deve me respeitar e obedecer em tudo. Porque recebi esse poder não do homem, mas de Deus. — IVAN, O TERRÍVEL
Cruel, louco, devasso, o castigo de Deus na Terra: Ivan, o Terrível, o primeiro czar da Rússia, havia nascido para cada um desses epítetos do mal. Determinado em centralizar o poder do Estado sob a autoridade de Moscovo, e insistindo em conquistar no Báltico uma passagem comercial para a Europa, Ivan quase destruiu seu reino.
Nascido em 1530, o primogénito de Vassili III, o grande príncipe de Moscovo, Ivan ficou órfão em 1538 e foi transformado em joguete dos boiardos — os homens da nobreza russa — nas suas disputas pelo poder. Finalmente, para provar a própria força, ordenou que atirassem o seu tutor aos cães e, em 1547, coroou-se czar. Durante os primeiros anos de seu reinado, estabeleceu um conselho com o qual trabalhou para realizar reformas no governo, no código de leis e na Igreja. Além disso, com o propósito de expandir e proteger seu Estado, Ivan conquistou os territórios de Kazan e Astrakan, em poder dos tártaros.
Mas, em 1560, a morte de sua esposa Anastásia, a quem adorava e que o compreendia como ninguém, deixou-o traumatizado. Depois dessa perda, o seu temperamento difícil foi se tornando cada vez mais instável e violento, incontrolável.
Em 1565, Ivan criou um Estado à parte, a opritchnina, e com seus terríveis oficiais sempre vestidos de preto, transformou o seu reinado em terror: intolerante com as críticas e cada vez mais paranóico, torturou e assassinou muitos súbditos, em verdadeiros massacres. No auge de sua fúria, em 1570, chacinou os habitantes de Novgorod e arrasou a cidade; alguns anos depois, durante uma discussão, matou o seu filho e herdeiro. Ficou horrorizado com esse crime, e nunca se perdoou por ele, transformando-se num velho amargo e deprimido. Morreu em 1584.
A despeito de seus excessos, Ivan estabeleceu o núcleo de um Estado poderoso; durante seu reinado, a área do território russo praticamente duplicou, e a Sibéria foi aberta à conquista. Ivan também destruiu a organização política feudal na Rússia, lançando em seu lugar as raízes da autocracia.

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