Em certo jardim, frente a uma jaula, um rapaz negro fita fixamente um lobo do Alasca que parece cego de um olho. O rapaz passa ali horas, dias, sem que o lobo entenda tal curiosidade. Então, pelo olho do lobo desfila o seu passado no frio Alasca, a lembrança dos seus companheiros, as peripécias da sua vida aventurosa, cheia de perigos. E, através dos olhos do rapaz, surge-nos, igualmente, a sua vida africana: primeiro, no Norte árido; depois, no verde intenso da floresta tropical. Peripécias, também; perigos, também. São duas histórias bem diferentes, mas que se completam naquele jardim zoológico, quando o rapaz resolve irritar o lobo, e, para espanto da família e da medicina, se recusa a abrir um dos olhos. Mas tudo termina em bem, quando ambos (rapaz e animal) erguem as pálpebras cerradas, passando a ver o que os cerca com os dois olhos, como a vida merece ser vista.
(recensão de António Couto Viana, 1996, in http://www.leitura.gulbenkian.pt)
Título: O Olho do Lobo
Autor: Daniel Pennac
Ilustrações: Jacques Ferrandez
Editora: Terramar

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