Aqui fica um poema do escritor que vai estar connosco no dia 10 de Dezembro:

AMIGO CAJUEIRO
Procurava-te ansioso…
Procurava avidamente a tua grande copa.
A Nela nota a minha inquietação e pergunta:
Que procuras, meu amor, porque estás ansioso?
Eu sorrio… Um sorriso nervoso.
Que procuras, meu amor…?, insiste.
Um amigo, respondo.
Um amigo carinhoso,
Um amigo que ainda não viste.
Certamente, estarei enganado.
Este não será o meu terreno…
Onde, em pequeno, brinquei e vivi.
Onde sem te conhecer, para ti sorri.
Não, este não é certamente…
Falta-lhe o meu amigo carinhoso.
Quem procuras, meu amor?
Procuro o meu cajueiro amigo.
Que desabrochava em flor.
O meu companheiro de brincadeiras
Que, apesar de tantas asneiras,
Sempre me deu amor.
Para um ou outro fruto colher,
Até pedras lhe arremessava.
Mas nunca deixou de me receber
Em seus braços quando eu chegava!
Quando me conheci, já ele adulto era.
Nunca igual vi: ponderado, cheio de paciência.
Sempre à minha espera.
Até que um dia parti.
Quase sem me despedir…
Quase a fugir.
Parti.
Que indecência… não pensei na sua dor!
Tem calma, meu amor, dizia-me Nela.
E eu, num torpor, olhava p’ra ela.
Não, não posso crer…
O meu amigo morreu!
Ai o que ele sofreu…
Ai o que os meus olhos estão vendo, Nela!
Tem calma, meu amor, dizia-me ela.
Suporta a dor.
A vida é efémera… É a realidade!
Eu sei que é verdade.
Deixo-te esta flor ingénua,
Amigo cajueiro.
Que, na minha infância, foste o primeiro!

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