Um conjunto de cónicas de cinema, da autoria de Vinicius de Moraes

«Sou um apaixonado de Cinema. Só Deus sabe como gosto de uma boa fita, o prazer que me traz «ver Cinema», discutir, ponderar, escrever, até fazer Cinema na Imaginação. Acho mesmo que só a Música traz-mc uma tão grande sensação de plenitude e gratidão. Não vou aqui me gabar – mas vi Luzes da Cidade mais de vinte vezes. Aliás não seja por isso porque Otávio de Faria viu mais de trinta. […] Quisera também criar uma atmosfera propícia ao Cinema, ajudar no que fosse possível e que por isso ninguém me levasse a mal. Mesmo porque, se levar, tanto pior.
Cecil B. de Mille deu cuidados especiais à cena finai [de Sansão e Dalila], quando o templo rui. Engraçado: o templo rui – não soa esquisito? Rui… rui, ou rói? O templo rói… Não: acho que é rui mesmo. Enfim, rui ou rói, aquela joça toda vem abaixo ante a pressão do «bíceps» de Víctor Mature. Levanta uma poeirada danada. O fitinha besta!»

Rigor analítico e galhofa, fato estético e reminiscência pessoal. Uma escrita livre, desierarquizante, lírica, irónica, ágil (em muito adiantando-se ao modo com que críticos e cineastas se expressariam nos anos 6o).
Do prefácio de Eucanaã Ferraz

Sobre o autor: http://www.viniciusdemoraes.com.br/site/
qrcode

Advertisements