Conjunto de textos do arquitecto português Raul Lino (Lisboa, 21 de Novembro de 1879 – 13 de Julho de 1974), reunidos num livro publicado pelo jornal O Independente em 2004.

Excerto:

«Eu desejaria encontrar uma imagem feliz, uma parábola ao jeito evangélico, para por meio dela conseguir impressionar todas as pessoas, fazendo–lhes sentir quanto perdem, não tanto no seu bem-estar físico, como na sua vida espiritual, no seu entretenimento recreativo, por não saberem ou não quererem aproveitar a riqueza posta pela Natureza à sua disposição por via do mais maravilhoso aparelho do nosso corpo que são os olhos! Efectivamente, pelo uso que muita gente faz dos órgãos da vista, bera podiam contentar-se com terem olhos de pau, pintados nas cores naturais…
O arvoredo deve emoldurar os monumentos, aconchegar as construções, encher de manchas adequadas na forma, no porte e na cor as feias peladas, que ainda restam por entre o casario das colinas [de Lisboa]. […] Roma deve em grande parte a sua augusta beleza, a sua aliciante harmonia, ao acorde básico das suas azinheiras, dos seus pinheiros mansos e dos seus ciprestes, que atravessa aquele panorama com a música de uma harpa eólica – dito isto sem literatura!
Quando me defrontei com o Parthénon senti o influxo do seu enfeitiçamento… […] Tive a sorte de sustentar um namoro de quatro dias com este monumento único. Começava em cada dia quando, ainda sentado na cama, eu via pela janela do quarto os primeiros raios do Sol a tingirem de ouro e púrpura o vértice do coroamento triangular do lado nascente do templo dedicado à deusa virgem Atena.»

Raul Lino:
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