O Livro Os Levantes da República, editado pela Afrontamento,  será lançado no dia 15 de Abril às 21 horas na livraria “Ler Devagar” em Lisboa. Escrito por um professor do nosso agrupamento , David Luna de Carvalho, é um livro de História que não se destina a um público correspondente aos alunos deste agrupamento, mas aos seus professores, especialmente da área de História e Ciências Sociais. Não obstante na sua origem estão alunos do 6.º ao 9.º anos, pois surgiu com base num projecto de História  e Tradição Oral levado a cabo pelo professor na Escola Preparatória da Vila de Nordeste entre 1982 e 1985. Este projecto destinava-se a produzir conhecimento histórico sobre um dos concelhos mais isolados do Arquipélago dos Açores e, assim, através de entrevistas que os alunos faziam às pessoas mais velhas das suas localidades, muitas delas analfabetas, ficou a saber-se que no tempo em que elas tinham a idade dos meninos que lhes faziam perguntas, tinha havido muita fome …fome negra …negra de cruz e também muitas revoltas, alevantes ou levantes populares. Tomando conhecimento desses depoimentos, David Luna de Carvalho, ficou espantado, pois tinha acabado de concluir a faculdade e esses tumultos não constavam dos livros de História, daí para cá resolveu conservar esses depoimentos, estudá-los com outras fontes históricas relativas a todo o país e devolvê-los à sociedade publicando esses estudos, dos quais o livro que se anuncia é o último e o mais completo, uma vez que corresponde a parte da sua tese de doutoramento.

O livro que agora se apresenta realiza a tipologia, quantificação, seriação, cartografia e análise exaustiva dos tumultos, levantes ou alevantes com que a República se deparou entre 1910 e 1917. Com os mais variados pretextos, a grande maioria deste levantes envolveram razões de natureza político-religiosa. A laicização do Estado e da vida pública constituíram o principal motivo dessas resistências abertas e quando, em 1914, já se dissipavam, eclodiu a Primeira Grande Guerra. Com o seu advento, surgiu um novo ciclo de levantes, agora com pretextos de natureza económica e social. Nesse contexto, no quadro de uma «economia moral» advogada pelas populações, a teologia rigorista das missões populares e da «Missão Abreviada», implementada a partir da segunda metade do século XIX, parece ter encontrado a sua grande justificação. A partir de 1916 houve relatos de um número invulgar de aparições que culminaram nas de Fátima em 1917.