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No dia 23 de Abril comemora-se o Dia Mundial do Livro. Até lá publicaremos todos os dias um poema diferente, sobre o livro ou a leitura, de poetas consagrados. Este é o sexto:

Nas estantes os livros ficam
(até se dispersarem ou desfazerem)
enquanto tudo
passa. O pó acumula-se
e depois de limpo
torna a acumular-se
no cimo das lombadas.
Quando a cidade está suja
(obras, carros, poeiras)
o pó é mais negro e por vezes
espesso. Os livros ficam,
valem mais que tudo,
mas apesar do amor
(amor das coisas mudas
que sussurram)
e do cuidado doméstico
fica sempre, em baixo,
do lado oposto à lombada,
uma pequena marca negra
do pó nas páginas.
A marca faz parte dos livros.
Estão marcados. Nós também.

Duplo Império, Pedro Mexia

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No dia 23 de Abril comemora-se o Dia Mundial do Livro. Até lá publicaremos todos os dias um poema diferente, sobre o livro ou a leitura, de poetas consagrados. Este é o quinto:

A um livro

No silêncio de cinzas do meu Ser
Agita-se uma sombra de cipreste,
Sombra roubada ao livro que ando a ler,
A esse livro de mágoas que me deste.

Estranho livro aquele que escreveste,
Artista da saudade e do sofrer!
Estranho livro aquele em que puseste
Tudo o que eu sinto, sem poder dizer!

Leio-o, e folheio, assim, toda a minh’alma!
O livro que me deste é meu, e salma
As orações que choro e rio e canto!…

Poeta igual a mim, ai que me dera
Dizer o que tu dizes! … Quem soubera
Velar a minha Dor desse teu manto!…

Florbela Espanca, Livro de Mágoas

No dia 23 de Abril comemora-se o Dia Mundial do Livro. Até lá publicaremos todos os dias um poema diferente, sobre o livro ou a leitura, de poetas consagrados. Este é o quarto:

A ilha do tesouro

O meu tesouro é um livro
de folhas gastas, dobradas,
onde ainda brilha o ouro
de palavras encantadas:
guinéus, luíses, dobrões.

Se o abro, à noite, no quarto,
levanta-se um vento leve
que enfuna os lençóis da cama;
cheira a sal, ouvem-se as ondas,
salpicos de espuma volteiam no ar.
Mas já não voam as palavras que voavam
e me arrastavam prò o mar,
o grande mar que é muitos e só um.
Por mais que escute já não ouço
a canção dos marinheiros:
Dez homens em cima da mala do morto…
Iou, ou, ou, e uma garrafa de rum…
Antigamente era outra essa viagem
e era eu o rapaz da estalagem.
Escondido na barrica das maçãs,
escutava o taque-taque
do homem da perna só
e as conversas dos piratas
que passavam no convés:
Com quarenta homens nos
fizemos ao mar,
mas só um, afinal,
se conseguiu salvar.
Faca de punho rachado,
bússola, sabre,
telescópio de latão.
Só o rum é que podia
derrubar o capitão;
mas agora ele está morto
e tem duas moedas de prata
no sítio dos olhos,
um buraco para os peixes
no lugar do coração.
O mar também é abismo
e assombro e perdição.

Com mil diabos!
Icem já a vela mestra,
seus patifes de uma figa!
Já chega de beber rum
e de coçar a barriga.
Depressa! Está na hora de arribar!
Mesmo em frente há uma ilha
que cresceu durante a noite
do outro lado do mar.
Tragam o mapa de Flint,
limpem o pó dos canhões,
sintam o cheiro do ouro.
O vento nos levará
para a ilha do tesouro.

Para a ilha do tesouro!
As palavras que me levem
para a ilha do tesouro
e seja ela onde for.
Quero os meus lábios gretados
pelo sal, pelo calor,
como no tempo em que era jovem
e andava no mar
e era o tempo melhor.

Que aconteceu? Quem sou eu?
Quem lê o livro não é quem o leu?
Onde está o mapa
do tesouro que me deste?
Três cruzes a vermelho,
duas a norte, uma a sudeste.

Agora abro o livro
e não acontece nada.
A minha noite é só medo e frio,
uma terra ressequida
batida por mar nenhum.
Por mais que escute já não ouço
a canção dos marinheiros:
Dez homens em cima da mala do morto…
lou, ou, ou, e uma garrafa de rum.

O Limpa-palavras e outros poemas
, Álvaro Magalhães

No dia 23 de Abril comemora-se o Dia Mundial do Livro. Até lá publicaremos todos os dias um poema diferente, sobre o livro ou a leitura, de poetas consagrados. Este é o terceiro:

Era um sonho?

Eram lobos, grilos, corvos,
tartarugas, raposões,
bichas de sete cabeças,
unicórnios e dragões,
dromedários e chacais
e outros bichos que tais.
Eram fadas, bruxas, príncipes,
ogres, fantasmas, meninos,
labirintos e palácios,
minas, grutas e florestas.
Eram ilhas e desertos,
cidades do faroeste,
gelos eternos e selvas
e pirâmides do Egipto.
Mas também havia escolas,
casas ricas, bairros pobres,
esquadras, polícias, ladrões
e gente de muitas nações.
Viajei em aviões,
navios e foguetões,
em botas de sete léguas
e tapetes voadores.
Naveguei em caravelas,
desenterrei um tesouro,
naufraguei nos mares do sul,
vi escravos agrilhoados,
lutei com piratas, vilões
entre pragas, maldições.
Vi o Pinóquio e a Alice,
o Polegarzinho, o Ulisses,
o Simbad e o Ali Babá,
Cinderela, Peter Pan,
Iracema e Iratan,
o lindo Palhaço Verde,
a gorda Dona Redonda,
e a fina Salta-Pocinhas.
Vi a Emília e o Visconde,
Dona Benta, Narizinho, Capuchinho e a avozinha,
o Tom Sawyer, o Jim Hawkins
e a muleta de John Silver
Quando o sonho terminou
e as pálpebras abri,
tinha ao meu lado uma estante
com todos os livros que li.

João Pedro Mésseder

Terminamos hoje a série de posts sobre o Acordo Ortográfico com a disponibilização do texto oficial do Acordo, Assinado em Lisboa a 16 de Dezembro de 1990.

No dia 23 de Abril comemora-se o Dia Mundial do Livro. Até lá publicaremos todos os dias um poema diferente, sobre o livro ou a leitura, de poetas consagrados. Este é o segundo:

Um livro é uma casa grande, com todos os quartos que quisermos ocupar e que está implantada no lugar do mundo que mais nos convier.
Um livro é um espelho onde nos podemos ver mas com corpo de homem, ou de mulher, de cor negra, ou branca ou aos quadradinhos, com cabelo ruivo ou louro ou de todas as cores.

Um livro é uma fonte de água muito límpida e muito fresca que nos mata a sede à hora que quisermos.
Um livro é uma árvore que nos dá a sombra e nos mostra as raízes diversas que povoam o chão.
Um livro pode ser uma travesseira ou um bálsamo.
Um livro pode ser um despertador mais estridente que os mais sibilantes despertadores.
Um livro pode levar-se para toda a parte – até para a banheira – e, muitas vezes agarra-se à pele de quem o lê e nunca mais na vida é capaz de o esquecer.
Um livro é o ser mais paciente do mundo. Espera por um leitor a vida inteira.
Não lêem livros os desafortunados que nunca tiveram a oportunidade de provar os sabores do sonho, da sabedoria e da vida.
Senhor, tende piedade deles!

José Jorge Letria

Maiúsculas e minúsculas

Uso obrigatório de minúscula

  • meses e estações do ano:

➔ janeiro, verão

  • pontos cardeais e colaterais:

➔ norte, sul (mas nas correspondentes abreviaturas, N e S, e quando designam regiões, usa-se
a maiúscula: vivo no Norte)

  • todos os usos de fulano, sicrano e beltrano

Uso facultativo de minúscula ou maiúscula

  • disciplinas escolares, cursos e domínios de saber:

➔ matemática ou Matemática

nomes de ruas, lugares públicos, templos e edifícios:

➔ rua ou Rua da Restauração, palácio ou Palácio da Bolsa, igreja ou Igreja
do Carmo

  • formas de tratamento e nomes sagrados:

➔ senhor doutor ou Senhor Doutor, santa Filomena ou Santa Filomena

  • nomes de livros:

➔ O Crime do Padre Amaro ou O crime do padre Amaro

No dia 23 de Abril comemora-se o Dia Mundial do Livro. Até lá publicaremos todos os dias um poema diferente, sobre o livro ou a leitura, de poetas consagrados. Este é o primeiro:

As árvores e os livros

As árvores como os livros têm folhas
e margens lisas ou recortadas,
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas.
E são histórias de reis, histórias de fadas,
as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas,
no pecíolo, no limbo, nas nervuras.
As florestas são imensas bibliotecas,
e até há florestas especializadas,
com faias, bétulas e um letreiro
a dizer: «Floresta das zonas temperadas».
É evidente que não podes plantar
no teu quarto, plátanos ou azinheiras.
Para começar a construir uma biblioteca,
basta um vaso de sardinheiras
.

Herbário, Jorge Sousa Braga

Divisão Silábica na Translineação

Este era já um procedimento habitual, mas que agora ficou consagrado no texto do Acordo Ortográfico

Na divisão silábica na translineação de uma palavra composta ou de uma combinação de palavras em que há um hífen ou mais, se a partição coincidir como final de um dos elementos ou membros, deve-se, por clareza gráfica, repetir o hífen no início da linha imediata:

ex-
-presidente

serená- ou serená-los-
-los-emos -emos

vice-
-almirante

Hifenização

O Acordo Ortográfico simplifica o uso do hífen.

Supressão do hífen

  • nas locuções de uso geral:

➔ cartão de visita, fim de semana

  • nos compostos em que se perdeu a noção de composição:

➔ mandachuva, paraquedas, parachoque, paravento, paralama

  • no presente do indicativo do verbo haver:

➔ hei de, hás de, há de, heis de, hão de

  • em formações por prefixação:

➔ quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por vogal diferente: autoestrada, extraescolar, aeroespacial, autoaprendizagem, agroindustrial, hidroelétrico, plurianual.

➔ quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s, duplicando-se a consoante: antirracismo, contrassenha, antirreligioso, contrarregra, cosseno, extrarregular, infrassom.

➔ com o prefixo co-, mesmo quando seguido de vogal igual: coocorrência, coeducação, coedição, coautoria

Uso do hífen

  • espécies botânicas e zoológicas:

➔ abóbora-menina, couve-flor, erva-doce, feijão-verde; bênção-de-deus, erva-do-chá, ervilha-de-cheiro, fava-de-santo-inácio; bem-me-quer (também conhecida como margarida ou malmequer); andorinha-grande, cobra-capelo, formiga-branca; andorinha-do-mar, cobra-d´água, lesma-de-conchinha; bem-te-vi (pássaro).

  • em formações por prefixação:

➔ quando o prefixo termina na mesma vogal ou consoante que inicia o segundo elemento: inter-regional, micro-ondas, anti-ibérico, contra-almirante, auto-observação, eletro-ótica, semi-interno.

➔ quando o segundo elemento começa por h: auto-hipnose, anti-higiénico, co-herdeiro, extra-humano, pré-história, etc.

[Não se usa, no entanto, o hífen em formações que contêm os prefixos des e in nas quais o segundo elemento perdeu o h inicial: desumano, desumidificar, inábil, inumano, etc.]

➔ com os prefixos pós-, pré- e pró-: pós-graduação, pré-escolar, pró-ativo, pró-africano

➔ com os prefixos circum- e pan-, quando o segundo elemento começa por vogal, m, n ou h: circum-navegação, pan-africano, circum-escolar, circum-murado, pan-mágico, pan-negritude.

➔ depois dos prefixos ex- (com o sentido de estado anterior ou cessamento), sota-, soto-, vice- e vizo-:  ex-almirante, sota-piloto, soto-mestre, vice-presidente, vizo-rei.

  • nas palavras compostas com os elementos além, aquém, recém e sem: além-mar, aquém-Pirenéus, recém-casado, sem-número, além-terra, aquém-mar, recém-nascido, sem-vergonha.
  • nas palavras compostas por justaposição que não contêm formas de ligação e cujos elementos constituem uma unidade sintagmática e semântica: arco-íris, decreto-lei, médico-cirurgião, tenente-coronel, tio-avô, guarda-noturno, mato-grossense, norte-americano, afro-asiático, afro-luso-brasileiro, azul-escuro, primeiro-ministro, conta-gotas, guarda-chuva, etc.
  • topónimos compostos iniciados pelos adjetivos grã, grão ou por forma verbal ou cujos elementos estejam ligados por artigos: Grã-Bretanha, Grão-Pará, Passa-Quatro, Trás-os-Montes, etc.
  • para ligar duas ou mais palavras que formam encadeamentos vocabulares: divisa Liberdade-Igualdade-Fraternidade, ponte Lisboa-Almada, percurso Lisboa-Porto, relação professor-aluno, processo de ensino-aprendizagem
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Estatística

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