Variações sobre o poema de José Fanha: “Eu sou português aqui” escritas por alunos da escola
Eu sou livre aqui
Sou pena por fora
Mas pedra por dentro
Sei a vida que vivi
Já levada pelo vento
Eu sou livre aqui
Amo a minha terra
Foi a terra onde eu nasci
Não é uma terra perfeita
Mas eu sou livre aqui
Pois tenho a alegria
De me lembrar que um dia
Pensei que perderia
O meu mundo de fantasia…
e não perdi!
Sou livre aqui
Porque sei
Que jamais me lembraria
De poder voltar a fazer o que fazia
Sou livre aqui
Para ler e escrever
E jamais me vou esquecer
De continuar a escrever
A minha querida poesia
Sou livre aqui
Com o mundo na palma da mão
E a poesia no coração
Mas para o universo da solidão,
Para isso, não há solução!
Ariana Martins, n.º 1 – 8.º 4.ª – 13 anos
Eu sou português aqui
Neste meio de palavras
Sou feito de amor e carinho
De seres de que me orgulho
Neste cesto pequenino
Onde o amor é o meu embrulho
Eu sou português aqui
Nasci neste recanto cheio de medo e de coragem
Com um olhar admirado
De pensamentos e encantos
Nasci perto da cidade
Não tive a mesma liberdade
De um pássaro ligeiro
De bico aventureiro
Eu sou português aqui
Entre este mundo sem jeito
E as asas de outro lugar
Sou campeão dos meus sonhos
Que prendo dentro do peito
E agora aqui estou eu
Poeta inteiro
E não desfeito
Daniel Dias, n.º 8 – 8.º 4.ª – 14 anos
Sou mulher aqui
Sou mulher aqui
No mundo em que nasci
Mas infelizmente cresci
Na terra dos sorrisos falsos
Que sublinham a tristeza
Para no final me perder
Na ilusão da beleza
Sou mulher aqui
Na terra onde o tempo passa
Onde as nuvens estão paradas
E onde as pessoas mudam
No prejuízo dos sonhos
Dos progenitores que lutam
Das noticias infelizes
Que o povo vai ouvindo
Sou mulher aqui
Na memória da amizade
Num tempo que corre tão limpo
Em águas de liberdade
Carina Marques, n.º 3 – 8.º 4.ª – 15 anos
Sou mulher aqui
Em terra e dunas talhada
Feita de cristal e de amor
Rasgada pelas ondas do mar
No silêncio da felicidade
Sou mulher aqui
Mas sobrevivente
Do lado de cá do mundo
Do lado de cá do amor
Da dor repetida
Da escuridão da noite
Vestida de vida
Nasci aqui
Num mês de abril qualquer
Quando esqueci todo o sofrimento
E comecei a conhecer
Cada detalhe da vida
Cada fibra do meu pão
Por isso eu digo
Eu sou mulher aqui
E trago a sinceridade presa
Num lado do coração
Sadigatou, n.º 23 – 8.º 4- 16 anos