Amadeo de Souza-Cardoso

(1887 , Manhufe – 1918 , Espinho )

Amadeo de Souza-Cardoso

Amadeo de Souza Cardoso partiu para Paris em 1906. Tinha 19 anos e pretendia continuar os estudos de arquitetura que iniciara em Lisboa. A efervescência do meio artístico parisiense afetou radicalmente o seu destino, abrindo-lhe o caminho da pintura. Em 1907, entusiasmado com os desenhos que recebia de Paris, o escritor Manuel Laranjeira (1877-1912) reconhecia já o seu jovem amigo como “um artista no significado absoluto do termo”.
(…)

Na batalha pela agitação do meio artístico português, Amadeo teve um papel discreto mas relevante. No final de 1916, numa conhecida entrevista que deu ao jornal O Dia, parafraseia largamente os manifestos de Marinetti. Não que as propostas do Futurismo o cativassem enquanto solução formal. A postura radical e modernista com que o movimento era identificada em Portugal, convinha todavia a Amadeo como forma de intervenção e motor de rutura com as estruturas tradicionalistas dominantes, que o haviam atacado por ocasião das suas duas únicas exposições realizadas em vida em Portugal.

Em Dezembro de 1916, Amadeo promoveu, primeiro no Porto e depois em Lisboa, uma mostra em que reuniu sob o título de Abstraccionismo 114 pinturas. O desfasamento da cultura estética nacional impediu uma receção favorável das propostas pictóricas de Amadeo, ganhando os certames uma aura de escândalo (coroada no limite pela agressão física ao pintor). Neste contexto importa destacar o protagonismo de Almada Negreiros e Fernando Pessoa na sua defesa pública. Ambos o reconheceram como o pintor mais significativo do seu tempo. Mas não deixaram de ser manifestações excêntricas e isoladas.

Amadeo morreu em Espinho em Outubro de 1918, vítima da epidemia de pneumónica que deflagrou nesse ano. Tinha apenas 30 anos.

Joana Cunha Leal

Maio de 2010

Fonte: http://www.cam.gulbenkian.pt/index.php?article=69520&visual=2&langId=1

Recordamos que as obras do pintor estão em EXPOSIÇÃO PERMANENTE no CENTRO DE ARTE MODERNA DA FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN em Lisboa.

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