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A publicidade surgiu com mais visibilidade e impacto social após a 2ª Guerra Mundial, quando se tornou necessário aumentar a produção e as vendas de uma sociedade cada vez mais industrializada.  A manipulação das consciências e a exploração dos  sentimentos, desejos e fragilidades humanas são as principais técnicas utilizadas pela publicidade. Fácil será perceber que, aliada a essa manipulação, há um conjunto de ideias apriorísticas, implícitas ou declaradas, que determinam a necessidade de incentivar à mudança de atitudes de consumo, ou à criação de novos hábitos.  Bastará analisar em profundidade os exemplos acima para concluirmos que pouco ou nada mudou na publicidade desde o seu início. Continuamos a associar ideias a produtos: a imagem da mulher como objeto de prazer, ligada ao desejo de possuir outros produtos, bebidas, carros, objetos de luxo; a implicitação da falta de inteligência das mulheres; a associação xenófoba de ideias negativas a pessoas de outras raças ou de outros países (à imigração, por exemplo); o aproveitamento de ideias positivas transmitidas por outras realidades para promover um produto, serviço ou ideia, entre outras intenções. Não sabemos porque razão desejamos subitamente realizar um determinado ato de compra / adesão, porque a implantação da necessidade de ação foi feita de forma profundamente enraizada nas nossas crenças, fraquezas, necessidades, medos e esperanças. Em suma, pensamento emocional, versus pensamento crítico, uma das dez estratégias de manipulação mediática propostas por Chomski.

Reconhecido filósofo e Professor de Linguística no M.I.T., o norte-americano Noam Chomsky tem demonstrado ser, durante as últimas décadas,  uma das vozes mais ativas a nível mundial no que toca à discussão sobre a manipulação mediática. Recomenda-se a leitura da sua obra “Silent Weapons for Quiet Wars” de 1979, que cada vez mais se mostra atualizada à realidade política e mediática e ao próprio marketing ideológico.

Na imagem abaixo podemos comparar as dez estratégias com o modo como os média em geral, publicidade, jornais, rádio, televisão, agências de informação afetas ao poder instituído e o próprio poder,  selecionam, enformam, produzem, divulgam e difundem a informação que recebemos todos os dias.

Estratégias de manipulação de massas(Clique para aumentar e ler)

Incutir nos nossos alunos a capacidade de analisar e desmontar a intenção dos anúncios publicitários e do enfoque dado a umas notícias em detrimento de outras é um dever que a escola e os currículos devem assumir, para além da aula de Português, para além da riqueza lexical e semântica da linguagem utilizada. Não basta que o assunto seja encarado como “matéria” dada e acabada num determinado período, mas é necessário um desafio permanente aos nossos jovens, se queremos criar consciências menos acríticas.

Ana Isabel Falé