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No dia 23 de Abril comemora-se o Dia Mundial do Livro. Até lá publicaremos todos os dias um poema diferente, sobre o livro ou a leitura, de poetas consagrados. Este é o décimo:

Um livro

Levou-me um livro em viagem
não sei por onde é que andei
Corri o Alasca, o deserto
andei com o sultão no Brunei?
P’ra falar verdade, não sei

Com um livro cruzei o mar,
não sei com quem naveguei.
Com marinheiros, corsários,
tremendo de febres e medo?
P’ra falar verdade não sei.

Um livro levou-me p’ra longe
não sei por onde é que andei.
Por cidades devastadas
no meio da fome e da guerra?
P’ra falar verdade não sei.

Um livro levou-me com ele
até ao coração de alguém
E aí me enamorei –
de uns olhos ou de uns cabelos?
P’ra falar verdade não sei.

Um livro num passe de mágica
tocou-me com o seu feitiço:
Deu-me a paz e deu-me a guerra,
mostrou-me as faces do homem
– porque um livro é tudo isso.

Levou-me um livro com ele
pelo mundo a passear
Não me perdi nem me achei
– porque um livro é afinal…
um pouco da vida, bem sei.

O G é um gato enroscado, João Pedro Mésseder

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No dia 23 de Abril comemora-se o Dia Mundial do Livro. Até lá publicaremos todos os dias um poema diferente, sobre o livro ou a leitura, de poetas consagrados. Este é o sétimo:

Os heróis dos livros

Deflagravam guerras,
morriam presidentes,
vulcões despertavam,
tufões desfaziam cidades inteiras.
Pouco soube porém
do que se passava nos confins da Terra.
Porque perto, muito perto de mim,
os cavalos do Pony Express
deixavam atrás do galope
um rasto de poeira do deserto,
e no Kentucky Daniel Boone
batia-se com os Shawnees
em combates de vida ou de morte;
Spártaco em Cápua levantava os escravos,
e na esplanada do Café do Gato
com os dedos sujos de graxa
Pepe salivava
diante do homem gordo
ao molhar churros quentes
numa chávena fumegante;
os meninos da gruta
na Nova Zelândia
fugiam de casa para a montanha
e do alto observavam
no vale os pequenos adultos;
o pai, Sandália de Vento,
e o filho, Sapato de Fogo,
corriam mundo mochila às costas,
como dois velhos amigos;
e Rudi, o rapaz da Steinstrasse 16,
ali, bem ao pé da porta,
crescia desvendando um mistério
para provar a sua inocência:
Não fui eu quem roubou o relógio,
não fui eu quem roubou o relógio.
Por causa de todos eles,
pouco soube das fomes, das cheias,
dos temporais e das batalhas
que varriam o mundo no meu tempo.
Mas Boone,
Spártaco,
Pepe,
Rudi,
Sapato de Fogo
e os outros,
no escuro sótão da minha infância,
no coração de uma cidade de granito,
olhavam-me nos olhos,
rosto diante de rosto:
gente de palavras
com cara-de-muitos-amigos.
E no centro do centro do mundo,
desse vasto mundo tumultuoso,
eu aprendia os sonhos dos homens,
decorava as dores dos homens
e neles me conhecia.

O G é um gato enroscado, João Pedro Mésseder

No dia 23 de Abril comemora-se o Dia Mundial do Livro. Até lá publicaremos todos os dias um poema diferente, sobre o livro ou a leitura, de poetas consagrados. Este é o terceiro:

Era um sonho?

Eram lobos, grilos, corvos,
tartarugas, raposões,
bichas de sete cabeças,
unicórnios e dragões,
dromedários e chacais
e outros bichos que tais.
Eram fadas, bruxas, príncipes,
ogres, fantasmas, meninos,
labirintos e palácios,
minas, grutas e florestas.
Eram ilhas e desertos,
cidades do faroeste,
gelos eternos e selvas
e pirâmides do Egipto.
Mas também havia escolas,
casas ricas, bairros pobres,
esquadras, polícias, ladrões
e gente de muitas nações.
Viajei em aviões,
navios e foguetões,
em botas de sete léguas
e tapetes voadores.
Naveguei em caravelas,
desenterrei um tesouro,
naufraguei nos mares do sul,
vi escravos agrilhoados,
lutei com piratas, vilões
entre pragas, maldições.
Vi o Pinóquio e a Alice,
o Polegarzinho, o Ulisses,
o Simbad e o Ali Babá,
Cinderela, Peter Pan,
Iracema e Iratan,
o lindo Palhaço Verde,
a gorda Dona Redonda,
e a fina Salta-Pocinhas.
Vi a Emília e o Visconde,
Dona Benta, Narizinho, Capuchinho e a avozinha,
o Tom Sawyer, o Jim Hawkins
e a muleta de John Silver
Quando o sonho terminou
e as pálpebras abri,
tinha ao meu lado uma estante
com todos os livros que li.

João Pedro Mésseder

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