You are currently browsing the tag archive for the ‘Jorge Luis Borges’ tag.

Comemora-se hoje o Dia Mundial do Livro e concluímos assim a nossa colectânea de poemas sobre o livro ou a leitura, de poetas consagrados:

Os Meus Livros

Os meus livros (que não sabem que existo)
São uma parte de mim, como este rosto
De têmporas e olhos já cinzentos
Que em vão vou procurando nos espelhos
E que percorro com a minha mão côncava.
Não sem alguma lógica amargura
Entendo que as palavras essenciais,
As que me exprimem, estarão nessas folhas
Que não sabem quem sou, não nas que escrevo.
Mais vale assim. As vozes desses mortos
Dir-me-ão para sempre.

A Rosa Profunda, Jorge Luis Borges

Anúncios

amor1

No âmbito da comemoração da semana dos afectos e do Dia do Patrono, inciámos a publicação de uma série de 20 poemas de amor de poetas famosos.

Este é o décimo oitavo:

O Apaixonado

Luas, marfins, instrumentos e rosas,
Traços de Dúrer, lampiões austeros,
Nove algarismos e o cambiante zero,
Devo fingir que existem essas coisas.
Fingir que no passado aconteceram
Persépolis e Roma e que uma areia
Subtil mediu a sorte dessa ameia
Que os séculos de ferro desfizeram.
Devo fingir as armas e a pira
Da epopeia e os pesados mares
Que corroem da terra os vãos pilares.
Devo fingir que há outros. É mentira.
Só tu existes. Minha desventura,
Minha ventura, inesgotável, pura.

Jorge Luis Borges, in “História da Noite”

Comemora-se no dia 21 de Março o dia da Poesia. Todos os dias, até lá, oferecemos um poema:

Nuvens (I)

Não, nem a uma só coisa é alheia

uma nuvem. Não são as catedrais

de vasta pedra e bíblicos vitrais

que o tempo há-de alisar. Nem a Odisseia,

que muda como o mar. Diferente a sinto

sempre que a abro. O reflexo da tua

face é já outro no espelho que actua

e o dia é um duvidoso labirinto.

Somos os que se vão. A numerosa

nuvem a desfazer-se no poente

é a nossa imagem. Incessantemente

converte-se uma rosa noutra rosa.

És mar, és nuvem, és esquecimento.

És tudo aquilo que foste perdendo.

Nuvens (II)

Pelo ar andam plácidas montanhas,

Trágicas cordilheiras de penumbra

Que escurecem o Sol. Quem as vislumbra

Chama-lhes nuvens. As formas são estranhas.

Shakespeare observou uma. Era igual

A um dragão. Tal nuvem de uma tarde

Na sua fala resplandece e arde

E ainda hoje a vemos, afinal.

Que são as nuvens? Uma arquitectura

Do acaso? É Deus que delas necessita

Talvez para executar a Sua infinita

Obra e são fios dessa trama obscura.

Uma nuvem talvez seja tão vã

Como o homem que a vê nesta manhã.

Jorge Luis Borges (1899-1986)

logo_be_15-16

Estatística

  • 2.091.123 visitas

Videoteca - DVD para empréstimo na Biblioteca

dvdcolec
melhornet
Bookmark and Share diigo it

Ler ebooks

Arquivos

Outubro 2019
S T Q Q S S D
« Dez    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

Comentários Recentes

SUAN em Provérbios de Maio
khanny merlina em Quantas vezes já pensaste…
joão marcelo nascime… em “Leilão de jardim”…
fhidafhui em Provérbios sobre o São Ma…
Sandy Matos em Provérbios de Setembro
feiradolivro
Anúncios
%d bloggers like this: