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MÁRIO SOARES
Costumam definir os políticos através da sua relação com o poder. Se é assim, peço desculpa por me julgar uma excepção: o que sempre me preocupou, ao longo da minha vida política, o que verdadeiramente me fez ligar a ela, como quem se prende a um dever irrecusável, e ser por ela subtraído a outras actividades, foi acima de tudo o destino e as condições da liberdade do homem. — MÁRIO SOARES

Mário Soares nasceu em Lisboa, um ano e meio antes do golpe militar que punha fim à República e instaurava um regime ditatorial em Portugal. Cresceu num ambiente familiar profundamente marcado pela luta contra Salazar, do qual seu pai, antigo ministro da República, foi até à morte um opositor determinado. Estudou no Colégio Moderno, fundado pelo seu pai e onde cada professor tinha a sua própria história de oposição ao regime. Na Universidade, Mário Soares faz o seu baptismo de fogo nas lutas académicas e adere à Juventude Comunista. O combate que trava pela liberdade não vai mais parar. Participa como dirigente em praticamente todas as manifestações e iniciativas da oposição contra Salazar. Afasta-se progressivamente do Partido Comunista e constrói, mais tarde, as bases do que virá a ser o Partido Socialista Português, fundado em Abril de 1973, e do qual será durante doze anos o líder máximo. Durante a Ditadura, é preso por doze vezes e deportado por Salazar para a ilha de São Tomé em 1968. É obrigado a exilar-se, a partir de 1970, quando Marcello Caetano põe termo à curta tentativa de abertura do regime. Só regressa a Portugal três dias depois da Revolução dos Cravos, a 28 de Abril de 1974.
Do exílio, em Paris, e da sua longa experiência, Mário Soares traz uma ideia para Portugal. Ela passa pela defesa intransigente da liberdade e pela construção de uma democracia pluralista, assente nos partidos, civilista e moderna. Nos anos seguintes, a luta que trava contra a tentativa do Partido Comunista para tomar o poder e impedir a construção do regime democrático torna-o um herói nacional e internacional. Ao mesmo tempo, Soares dirige o processo de descolonização que se segue ao 25 de Abril e desenvolve uma intensa actividade diplomática, na sua qualidade de ministro dos Negócios Estrangeiros, para fazer reconhecer internacionalmente a jovem democracia portuguesa. Será, posteriormente, primeiro-ministro de três governos constitucionais.
Amigos e inimigos, apoiantes e adversários reconhecem em Mário Soares as qualidades e a capacidade que moldam os grandes líderes. Dotado de uma coragem imensa, capaz de resistir sozinho aos piores momentos e de recuperar com uma determinação inigualável, possuidor de uma rara intuição política, durante mais de quarenta anos a sua vida tem-se confundido com a história do seu próprio país.

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