No âmbito das comemorações do dia do patrono, cujo ponto alto do programa decorrerá amanhã, na Biblioteca e no palco da escola, está a decorrer desde o início da semana a Exposição «Violência – dá-lhe a volta», organizada pelo subdepartamento de EMRC. A exposição é constituída por diversos painéis, que se encontram distribuídos pelo átrio da biblioteca e pela escadaria de acesso à mesma. Aqui ficam alguns exemplos:
Se pensavas que só os papagaios conseguiam imitar os sons que ouvem, presta atenção a esta magnífica interpretação da ave-lira, natural da Austrália, e sobretudo ao seu espectacular final, em que a «artista» imita na perfeição uma máquina fotográfica, o alarme de um carro e uma motosserra.

Fábulas de La Fontaine
Tradução e adaptação de Maria Alberta Menéres
Esta semana trazemos-te um livros da autoria de uma dos mais famosos autores de fábulas de sempre: La Fontaine. Duas dezenas de fábulas traduzidas e adaptadas por Maria Alberta Menéres, com ilustrações de José Garcês.
Uma das suas fábulas mais conhecidas é «O Leão e o Rato», que aqui reproduzimos:
Temos de avisar a tempo toda a gente:
É bom ter junto a nós quem mais pequeno é.
Qualquer fábula é testemunho evidente
Do que, mais que provado, é dito em boa fé.
Entre as patas de um Leão
Se viu um Rato, em hora distraída.
O Rei dos animais, em tal ocasião,
Magnânimo se mostra e não lhe tira a vida.
Esta bondade, não a fez em vão.
Mas quem ia prever a situação
De um Leão precisar de um vil Ratito?
Foi ao fim da manhã que, sem razão para tal,
Sobre o Leão tombou uma rede fatal
E na armadilha cai um Rei Leão aflito.
Eis que o Rato lhe acode: à rede mete o dente
E com calma desfaz a malha que o prende.
Saber dar tempo ao tempo e ter paciência
Valem mais do que força e violência.
Se quiseres ler e ouvir mais fábulas de La Fontaine (e outros autores), visita o fantástico sítio No mundo das fábulas. Para saberes mais La Fontaine, podes consultar esta página (em francês) e o artigo sobre La Fontaine na Wikipedia
Concluímos hoje a publicação da colectânea de poemas para o dia do patrono, Padre Alberto Neto, que se comemora na quinta-feira, dia 11 de Fevereiro. Parte destes poemas serão declamados por alunos, na sessão de homenagem ao Padre Alberto Neto, que decorrerá na biblioteca de manhã e de tarde.
O MENINO NEGRO
Geraldo Bessa Victor
O menino negro não entrou na roda
das crianças brancas – as crianças brancas
que brincavam todas numa roda viva
de canções festivas, gargalhadas francas…
O menino negro não entrou na roda.
E chegou o vento junto das crianças
- e bailou com elas e cantou com elas
as canções e danças das suaves brisas,
as canções e danças das brutais procelas.
O menino negro não entrou na roda.
Pássaros, em bando, voaram chilreando
sobre as cabecinhas lindas dos meninos
e pousaram todos em redor. Por fim,
bailaram seus voos, cantando seus hinos …
O menino negro não entrou na roda.
“Venha cá, pretinho, venha cá brincar”
- disse um dos meninos com seu ar feliz.
A mamã, zelosa, logo fez reparo;
o menino branco já não quis, não quis …
o menino negro não entrou na roda.
O menino negro não entrou na roda
das crianças brancas. Desolado, absorto,
ficou só, parado com olhar cego,
ficou só, calado com voz de morto.
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Geraldo Bessa Victor
[1917-1990]
Geraldo Bessa Victor, poeta e contista, nasceu em 1917 em Luanda e faleceu no ano de 1990, Lisboa, sua segunda Pátria. É autor dos livros “Ecos dispersos”, 1941; “Ao som das marimbas”, 1943; “Debaixo do céu”, 1949, “A restauração de Angola”, 1951; “Cubata abandonada”, 1958, “Mucanda”, 1964; “Monandengue”, 1973. Para Manuel Bandeira que prefaciou o livro “Cubata abandonada” (1958), sem qualquer dúvida, considera que: “Geraldo Bessa Victor recolheu o melhor das mais autênticas vozes de África. Vozes que ele terá ouvido junto às Pedras Negras de Pungo Andongo, conversando com os ventos, os montes, os rios, as velhas mulembas, que lhe falavam de histórias do Quinjango e da Rainha Ginga.”.

Em 1919, Mathilde tinha apenas 19 anos. Dois anos antes, o seu noivo Manech partira para a frente de batalha na Somme. Como milhões de outros jovens antes dele, Manech foi “morto no campo de batalha”. Ou pelo menos isso é o que diz o boletim oficial. Mas Mathilde recusa-se a acreditar. Se ele tivesse sido morto, ela saberia. Mathilde agarra-se à sua intuição e esperança com toda a paixão que a liga ao seu amor desaparecido, mesmo quando um sargento regressado da frente tenta em vão convencê-la de que Manech morreu numa trincheira na terra-de-ninguém, na companhia de quatro outros soldados condenados à morte por ferimentos auto-infligidos. O seu percurso está repleto de obstáculos mas Mathilde não vacila – pois nada é impossível para uma mulher que está decidida a desafiar o próprio destino…
REALIZADOR
Jean-Pierre Jeunet
INTÉRPRETES
Audrey Tautou, Gaspard Ulliel, Dominique Pinon, Jodie Foster, Chantal Neuwirth, Ticky Holgado, André Dussollier, Jean-Paul Rouve, Albert Dupontel, Jérôme Kircher, Jean-Pierre Darroussin, Denis Lavant, Dominique Bettenfeld, Jean-Pierre Becker, Tchéky Karyo, Jean-Claude Dreyfus, Marion Cotillard, Julie Depardieu, Michel Vuillermoz, Urbain Cancelier, Michel Robin, Rufus.
NÚMERO DE REGISTO: DVD058
TRAILER:
Mais sobre o filme: clica aqui.
NEGRA
Noémia de Sousa
Gentes estranhas com seus olhos cheios doutros mundos
quiseram cantar teus encantos
para elas só de mistérios profundos,
de delírios e feitiçarias…
Teus encantos profundos de África.
-
Mas não puderam.
Em seus formais e rendilhados cantos,
ausentes de emoção e sinceridade,
quedas-te longínqua, inatingível,
virgem de contactos mais fundos.
-
E te mascararam de esfinge de ébano, amante sensual,
jarra etrusca, exotismo tropical,
demência, atracção, crueldade,
animalidade, magia…
e não sabemos quantas outras palavras vistosas e vazias.
-
Em seus formais cantos rendilhados
foste tudo, negra…
menos tu.
-
E ainda bem.
Ainda bem que nos deixaram a nós,
do mesmo sangue, mesmos nervos, carne, alma,
sofrimento,
a glória única e sentida de te cantar
com emoção verdadeira e radical,
a glória comovida de te cantar, toda amassada,
moldada, vazada nesta sílaba imensa e luminosa: MÃE
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Noémia de Sousa
[1926-2002]
Escritora moçambicana, Carolina Noémia Abranches de Sousa Soares nasceu a 20 de Setembro de 1926, em Lourenço Marques (hoje Maputo), Moçambique, e faleceu a 4 de Dezembro de 2002, em Cascais, Portugal. Poetiza que, numa espécie de postura predestinada, desembaraçando-se das normas tradicionais europeias, de 1949 a 1952 escreve dezenas de poemas, estando muitos deles dispersos pela imprensa moçambicana e estrangeira.
A sua poesia desde muito cedo se mostrou “cheia” da “certeza radiosa” de uma esperança, a esperança dos humilhados, que é sempre a da sua libertação.
Toda a sua produção é marcada pela presença constante das raízes profundamente africanas, abrindo os caminhos da exaltação da Mãe-África, da glorificação dos valores africanos, do protesto e da denúncia.
FALA DO VELHO DO RESTELO AO ASTRONAUTA
José Saramago
Aqui, na terra, a fome continua,
A miséria, o luto, e outra vez a fome.
Acendemos cigarros em fogos de napalme
E dizemos amor sem saber o que seja.
Mas fizemos de ti a prova da riqueza
Ou talvez da pobreza, e da fome outra vez,
E pusemos em ti nem eu sei que desejo
De mais alto que nós, e melhor, e mais puro.
No jornal soletramos, de olhos tensos,
Maravilhas de espaço e de vertigem:
Salgados oceanos que circundam
Ilhas mortas de sede, onde não chove.
Mas o mundo, astronauta, é boa mesa
(E as bombas de napalme são brinquedos),
Onde come, brincando, só a fome,
Só a fome, astronauta, só a fome.
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José Saramago [1922- ]
José Saramago nasceu na Azinhaga, concelho da Golegã. Trabalhou como jornalista em vários jornais, entre eles o Diário de Notícias, de que foi director. Actualmente vive na ilha de Lanzarote, arquipélago das Canárias. É um dos escritores portugueses mais lidos e traduzidos no estrangeiro. Em 1991 ganhou o Grande Prémio APE, com o romance O Evangelho Segundo Jesus Cristo, e o Prémio Camões em 1996 por toda a obra. Em 1998 ganhou o Prémio Nobel da Literatura.
SONETO DOS VENCIDOS
José Régio
Quando subi a serra, alguns troçaram,
Enquanto a multidão, em volta, ria…
E troças e risadas arranharam
Tudo o que em mim sentia e se doía.
Todos os mais, depois, me detestaram,
Por eu não ser igual à maioria.
E, fortes, contra um, cem abusaram,
Enquanto a multidão, em volta, ria.
Fartar, vilões, que estou cansado!
Eis-me – Ecce-Homo! – Nu, prostrado e atado.
Podeis lançar-me à cara os vossos lodos!
Mas eu, quanto mais sofro mais me prezo:
Só o meu orgulho iguala o meu desprezo…
E vingo-me em ter pena de vós todos
A propósito do Dia do Patrono, que se comemora de hoje a uma semana:
CÂNTICO NEGRO
José Régio
“Vem por aqui” — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui!”
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos…
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: “vem por aqui!”?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí…
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?…
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos…
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios…
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
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José Régio
[1901-1969]
José Régio, pseudónimo literário de José Maria dos Reis Pereira, nasceu em Vila do Conde em 1901. Licenciado em Letras em Coimbra, ensinou durante mais de 30 anos no Liceu de Portalegre. Com Branquinho da Fonseca e João Gaspar Simões fundou, em 1927, a revista Presença (cujo primeiro número saiu a 10 de Março, vindo a publicar-se, embora sem regularidade, durante treze anos), que marcou o segundo modernismo português e de que Régio foi o principal impulsionador e ideólogo.
Como escritor, José Régio dedicou-se ao romance, ao teatro, à poesia e ao ensaio. Centrais, na sua obra, são as problemáticas do conflito entre Deus e o Homem, o indivíduo e a sociedade, numa análise crítica das relações humanas e da solidão, do dilaceramento interior perante a relação entre o espírito e a carne e a ânsia humana do absoluto.
É considerado, por alguns, como um dos vultos mais significativos da moderna literatura portuguesa. Recebeu, postumamente, em 1970, o Prémio Nacional de Poesia, pelo conjunto da sua obra poética. As suas casas de Vila do Conde e de Portalegre são hoje museus.













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