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Continuamos com a publicação dos vídeos produzidos no âmbito da iniciativa «…Diz lá um poema» de comemoração do Dia da Árvore/Dia da Poesia. Hoje com Miguel Torga, Jorge Sousa Braga e poemas originais do 6.º 5.ª, ditos por professores e alunos da escola.

Integrado no programa de comemorações do Dia da Árvore e do Dia da Poesia, continuamos hoje com publicação de uma colectânea de 20 poemas sobre a árvore ou a natureza, maioritariamente de autores portugueses.

A Um Carvalho

Eis o pai da montanha, o bíblico Moisés

Vegetal!

Falou com Deus também,

E debaixo dos pés, inominada, tem

A lei da vida em pedra natural!

Forte como um destino,

Calmo como um pastor,

E sempre pontual e matutino

A receber o frio e o calor!

Barbas, rugas e veias

De gigante.

Mas, sobretudo, braços!

Longos e negros desmedidos traços,

Gestos solenes duma fé constante…

Folhas verdes à volta do desejo

Que amadurece.

E nos olha a prece

Da eternidade

Eis o pai da montanha, o fálico pagão

Que se veste de neve e guarda a mocidade

No coração!

Miguel Torga

amor1

No âmbito da comemoração da semana dos afectos e do Dia do Patrono, iniciámos a publicação de uma série de 20 poemas de amor de poetas famosos.

Este é o décimo quarto:

Amor

A jovem deusa passa
Com véus discretos sobre a virgindade;
Olha e não olha, como a mocidade;
E um jovem deus pressente aquela graça.

Depois, a vide do desejo enlaça
Numa só volta a dupla divindade;
E os jovens deuses abrem-se à verdade,
Sedentos de beber na mesma taça.

É um vinho amargo que lhes cresta a boca;
Um condão vago que os desperta e toca
De humana e dolorosa consciência.

E abraçam-se de novo, já sem asas.
Homens apenas. Vivos como brasas,
A queimar o que resta da inocência.

Miguel Torga, in ‘Libertação’

No âmbito da Semana da Leitura 2008, vamos desenvolver na Biblioteca a iniciativa “5 dias, 5 poemas”.

Este é o segundo:

SEGREDO

Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.
Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar…

Miguel Torga

Um belo poema para começar 2008. “Recomeça”, de Miguel Torga…

Recomeça….

Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…

Miguel Torga

Decorreu na nossa escola, na passada sexta-feira, o colóquio “Alberto Neto e os escritores de 1907”, com a presença dos professores universitários Fernando Catarino e José Manuel Cymbron, no âmbito das comemorações do 20.º aniversário da nossa escola. A conversa decorreu em torno do Padre Alberto Neto, patrono da escola, e dos escritores Miguel Torga, Jorge Dias e Carlos Queiroz, cujo centenário do nascimento se comemora este ano. O evento contou ainda com dois momentos musicais e concluiu-se com a colocação, no exterior da escola, dos ninhos de poemas que estiveram em exposição na Biblioteca.

Deixamos aqui os textos que serviram de inspiração ao colóquio:

Cercadas de abismos
Por todos os lados
As almas são ilhas
Em nós sepultadas.
Ilhas solitárias
Sem pontes, sem túneis,
Sem possível tráfego
De umas para as outras.
Ilhas assombradas
As almas parecem.
Deus se compadeça
Do nosso arquipélago!

——————–

É urgente descobrir
Na flora da fantasia
Uma espécie de semente
Que gere a pura alegria
E se possa produzir
Nas almas de toda a gente

Carlos Queiroz

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MENSAGEM

Vinde à terra do vinho, deuses novos!
Vinde, porque é de mosto
O sorriso dos deuses e dos povos
Quando a verdade lhes deslumbra o rosto.

Houve Olimpos onde houve mar e montes.
Onde a flor da madrugada deu perfume.
Onde a concha da mão tirou das fontes
Uma frescura que sabia a lume.

Vinde, amados senhores da juventude!
Tendes aqui o louro da virtude,
A oliveira da paz e o lírio agreste…

E carvalhos, e velhos castanheiros,
A cuja sombra um dormitar celeste
Pode tornar os sonhos verdadeiros.

———————————

PARA A VIAGEM
Apresta o coração como um veleiro
Que vai atravessar o tormentoso.
Luz contra o nevoeiro,
E a bandeira de um sonho generoso
Mais alta do que os gritos do gajeiro

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ESTRELA DO OCIDENTE

Por teus olhos acesos de inocência
Me vou guiando agora, que anoitece.
Rei Mago que procura e desconhece
O caminho,
Sigo aquele que adivinho
Anunciado
Nessa luz só de luz adivinhada,
Infância humana, humana madrugada.

Presépio é qualquer berço
Onde a nudez do mundo tem calor
E o amor
Recomeça.
Leva-me, pois, depressa,
Através do deserto desta vida,
À Belém prometida…
Ou és tu a promessa?

———————————-
A S. FRANCISCO DE ASSIS

Louvado sejas, meu irmão poeta,
Pela beleza excelsa do teu canto,
O mais singelo,
Singular
E santo
De quantos se entoaram neste mundo.
Louvado sejas pelo profundo
Sentimento de paz
Que nele nos dás, cego a exaltar o sol,
Podre a exaltar a vida,
E até rendido aos pés da própria morte,
Nossa nocturna irmã sem caridade.
E louvado também pela humildade
Tutelar
Da tua inspiração,
Que soube, humanamente, ser do chão,
Mesmo erguida nas asas e a voar…

SEI UM NINHO
Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.

Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar…

Miguel Torga

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«Um vez, um home de Rio de Onor, que tinha um filho a fazer serviço num regimento de Bragança, precisou dele para o ajudar na segada do centeio. Meteu-se ao caminho e, quando chegou a Bragança, dirigiu-se ao quartel e disse que queria que lhe dessem licença para o filho vir ajudar à segada. Responderam-lhe que só o comandante podia fazer tal coisa. Dise então que queria falar com o comandante. Mas como o informassem de que este não estava, insistiu em falar com ele, estivesse onde estivesse. Disseram-lhe então que fosse a uma determinada praça da cidade, onde costumava estar àquela hora a conversar com os amigos, e que o reconheceri facvilmente, porque era um oficial alto e já idoso. O homem lá foi. Chegou à praça e viu um oficial como o que lhe descreveram, e ditrigiu-se-lhe nos seguintes termos:
Tu de la correia, tu sôs quên manda nus soldaus?
O comandante disse-lhe que sim e perguntou-lhe o que queria.
Tengo un fio qui iè soldau que benga pa cassa a facer a segada.
O comandante achou graça àquela franqueza rude, pediu o número do rapaz e deu-lhe a licença desejada.»

Jorge Dias

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«A primeira grande virtude do educador é não ter demasiadas certezas. (…) a única certeza que pode ter é de que, nas questões da vida e do amor, e de todos estes grandes mistérios vitais, a grande sabedoria é a capacidade de procura e de pesquisa permanente (…)»

«É muito fácil dizer ao inferior: “sim, sim; não, não”. Mas é tão difícil dizer ao superior, com a mesma simplicidade: “Não é verdade”.

Padre Alberto Neto

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Poema cantado pelos alunos:

APRENDER A ESTUDAR

Estudar é muito importante,

mas pode-se estudar de várias maneiras….

Muitas vezes estudar não é só aprender

o que vem nos livros.

Estudar não é só ler nos livros

que há nas escolas.

E também aprender a ser livre,

sem ideias tolas.

Ler um livro é muito importante,

ás vezes urgente.

Mas os livros não são o bastante

para a gente ser gente.

É preciso aprender a escrever, mas também a viver, mas também a sonhar.

É preciso aprender a crescer,

aprender a estudar.

Aprender a crescer quer dizer:

aprender a estudar, a conhecer os outros,

a ajudar os outros,

a viver com os outros.

E quem aprende a viver com os outros

aprende sempre a viver bem consigo próprio.

Não merecer um castigo é estudar.

Estar contente consigo é estudar.

Aprender a terra, aprender o trigo

e ter um amigo também é estudar.

Estudar também é repartir,

também é saber dar

o que a gente souber dividir

para multiplicar.

Estudar é escrever um ditado

sem ninguém nos ditar;

e se um erro nos fôr apontado

é sabê-lo emendar.

É preciso em vez de um tinteiro,

ter uma cabeça que saiba pensar,

pois, na escola da vida, primeiro está saber estudar.

Cantar todas as papoilas de um trigal

é a mais linda conta que se pode fazer.

Dizer apenas música,

quando se ouve um pássaro,

pode ser a mais bela redacção do mundo…

mas pensar é tudo!

Ary dos Santos

Até ao dia de Natal, publicaremos todos os dias um poema de um autor português sobre o Natal.

Cá vai o primeiro, de Miguel Torga, no fim do ano do seu centenário:

________________________________________

Natal divino ao rés-do-chão humano,
Sem um anjo a cantar a cada ouvido.
Encolhido
À lareira,
Ao que pergunto
Respondo
Com as achas que vou pondo
Na fogueira.

O mito apenas velado
Como um cadáver
Familiar…
E neve, neve, a caiar
De triste melancolia
Os caminhos onde um dia
Vi os Magos galopar…

Miguel Torga

Realiza-se amanhã na nossa Biblioteca o Colóquio “Padre Alberto Neto e os escritores nascidos em 1907”, dinamizado pelos Professores Fernando Catarino e José Cymbron. Serão abordados os escritores Carlos Queiroz (1907-1949), Jorge Dias (1907-1973) e Miguel Torga (1907-1995). O cartaz do evento pode ser visto aqui.

Sobre Miguel Torga: http://purl.pt/13860/1/galeria.htm

No âmbito das comemorações do centenário do nascimento de Miguel Torga, a Biblioteca e o Clube “Leituras em Acção” organizou uma pequena exposição e distribuiu pela biblioteca ninhos construídos na escola, em cada um dos quais podia ser recolhido um poema de Miguel Torga.

De seguro,
Posso apenas dizer que havia um muro
E que foi contra ele que arremeti
A vida inteira.
Não, nunca o contornei.
Nunca tentei
Ultrapassá-lo de qualquer maneira.

A honra era lutar
Sem esperança de vencer.
E lutei ferozmente noite e dia.
Apesar de saber
Que quanto mais lutava mais perdia
E mais funda sentia
A dor de me perder.

Miguel Torga, Antologia poética, Coimbra: Edição do autor, 1981

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